Tag: Inteligência Artificial

  • Inteligência artificial cria fraudes milionárias; entrevista exclusiva no SXSW explica

    Inteligência artificial cria fraudes milionárias; entrevista exclusiva no SXSW explica

    Inteligência artificial cria fraudes milionárias; entrevista exclusiva no SXSW explica

    As fraudes digitais impulsionadas pela Inteligência Artificial (IA) dispararam mais de 1000% em 2025, um crescimento alarmante que reflete a democratização e o avanço rápido dessas tecnologias. Em uma conversa exclusiva no SXSW 2026, em Austin (EUA), o analista de negócios Guilherme Ravache obteve insights valiosos com Davi Reis, da Unico, sobre como os deepfakes se tornaram uma ameaça direta a bancos e sistemas financeiros, e como soluções inovadoras como a prova de vida surgem como contramedidas essenciais.

    A acessibilidade e a sofisticação aprimorada das ferramentas de IA são os principais motores por trás desse aumento expressivo. O que antes exigia conhecimento técnico avançado, hoje está ao alcance de um número muito maior de pessoas, permitindo a criação de golpes cada vez mais elaborados e convincentes.

    O impacto dos deepfakes no setor financeiro

    Os deepfakes deixaram de ser uma preocupação hipotética para se tornarem uma realidade com impacto direto na segurança de usuários e na integridade de sistemas financeiros. Ferramentas antes voltadas para o entretenimento, como as oferecidas pelo Google e o ChatGPT, agora são exploradas por criminosos para aplicar fraudes sofisticadas.

    “A mesma tecnologia que é usada pra gente rir também pode ser usada por um fraudador para atacar o sistema financeiro”, afirma Davi Reis.

    A capacidade de replicar rostos e criar vídeos falsos extremamente realistas coloca em risco os métodos tradicionais de autenticação, incluindo sistemas de reconhecimento facial. A engenharia social se intensifica, permitindo que criminosos se passem por qualquer pessoa, ampliando o leque de golpes possíveis.

    A tecnologia como defesa contra si mesma

    Diante deste cenário desafiador, empresas de tecnologia estão investindo massivamente em soluções de segurança mais robustas. A prova de vida, tecnologia central da Unico, destaca-se nesse contexto. O sistema é projetado para verificar a autenticidade de uma pessoa em tempo real, garantindo que não se trata de uma imagem ou vídeo manipulado.

    A corrida armamentista entre fraudadores e defensores da segurança digital é uma constante. Davi Reis enfatiza que a solução para combater as ameaças criadas pela própria tecnologia reside em usar a tecnologia de forma inteligente.

    “Esse mundo de ficção científica chegou aqui para nós agora e a gente precisa da tecnologia exatamente para combater e controlar a tecnologia”, afirma Davi.

    Riscos além do setor financeiro

    Embora o setor financeiro seja um dos alvos mais evidentes, o uso de deepfakes transcende as fraudes bancárias. A capacidade de criar vídeos falsos convincentes pode abalar relações pessoais e sociais, enganando até mesmo familiares e amigos, o que demonstra a amplitude dos desafios impostos pela nova era digital.

  • O que é alfabetização em inteligência artificial e sua importância nas empresas

    O que é alfabetização em inteligência artificial e sua importância nas empresas

    A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta presente no dia a dia de 88% das organizações. No entanto, a simples adoção da tecnologia não garante resultados. Muitas empresas enfrentam dificuldades em traduzir investimentos em IA em valor real, um desafio que se estende para além da infraestrutura e abrange a cultura corporativa, a liderança e a maturidade analítica das equipes. O conhecimento sobre como aplicar a IA de forma eficaz é o que define a alfabetização em inteligência artificial.

    A falta de compreensão sobre os fundamentos, limites e potencialidades da IA é um dos principais gargalos que impedem empresas de escalarem seus projetos. Com a rápida evolução tecnológica e a crescente demanda por habilidades digitais, como IA, big data e cibersegurança, o letramento digital se posiciona como uma das competências de crescimento mais acelerado. Este artigo explora o que é a alfabetização em IA e por que ela se tornou indispensável para o sucesso empresarial.

    Transformação da mentalidade organizacional

    A alfabetização em IA atua como um agente transformador na cultura empresarial. Ao desmistificar a tecnologia e torná-la mais acessível, ela combate a percepção da IA como uma “caixa-preta” inatingível. Quando lideranças compreendem os princípios básicos e as aplicações práticas da IA, o engajamento das equipes na jornada de inovação aumenta consideravelmente.

    Essa nova mentalidade estimula uma cultura de curiosidade e experimentação. Em vez de ver a IA como uma ameaça, líderes e colaboradores passam a enxergá-la como uma ferramenta de potencialização, abrindo caminho para a adoção mais consistente de novas soluções e processos.

    Desenvolvimento de maturidade analítica

    Organizações que investem em programas de AI Literacy desenvolvem uma capacidade aprimorada de coletar, interpretar e aplicar dados em suas decisões estratégicas. Esse amadurecimento analítico é fundamental para transformar a intuição em inteligência estratégica, baseada em evidências concretas.

    A defasagem no conhecimento sobre IA é um obstáculo significativo, com 3 a cada 5 líderes admitindo que suas empresas carecem desse entendimento. Programas estruturados de alfabetização em IA equipam as equipes com as habilidades necessárias para extrair insights valiosos dos dados, impulsionando um processo decisório mais eficiente e embasado.

    Fortalecimento da confiança decisória

    Com um domínio maior sobre as capacidades da IA, líderes tendem a tomar decisões mais informadas e seguras, apoiadas por dados e insights consistentes. Essa confiança se propaga pela organização, incentivando uma cultura onde a experimentação orientada prevalece sobre a hesitação diante da incerteza.

    Segundo Paulo Simon, Vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Keyrus no Brasil, a alfabetização em IA não se trata apenas de treinamento técnico. Ela é um catalisador que eleva a maturidade analítica e a confiança na tomada de decisão, promovendo uma transformação organizacional completa.

    Espaço para inovação e aumento da curva de aprendizado

    A educação contextualizada, que traduz conceitos abstratos de IA para a realidade de cada setor com casos de uso concretos, é um pilar central. A criação de ambientes seguros para experimentação permite que as lideranças testem novas ferramentas sem comprometer as operações, acelerando significativamente a curva de aprendizado.

    O relatório The State of Data & AI Literacy 2025 destaca que copilotos de IA e ferramentas com raciocínio avançado são considerados importantes por grande parte dos líderes. Além disso, a demanda por profissionais com alto nível de letramento em IA é crescente, com 69% dos líderes dispostos a pagar salários mais altos por esses candidatos.

    Cultura de inovação sustentável

    Ambientes que priorizam a alfabetização em IA fomentam ciclos contínuos de aprendizado e inovação. A colaboração entre diferentes gerações, onde profissionais mais jovens trazem domínio tecnológico e executivos seniores oferecem visão estratégica, acelera essa jornada.

    Parcerias com universidades e centros de pesquisa mantêm os programas de alfabetização atualizados, garantindo acesso a conhecimento de ponta e às tendências mais recentes do mercado. A integração dessas estratégias resulta em uma cultura de inovação sustentável, impulsionando as empresas para a liderança na era digital.

    Como implementar a alfabetização em IA

    A implementação eficaz de programas de AI Literacy exige uma abordagem integrada, que vá além de treinamentos técnicos. Paulo Simon, da Keyrus, aponta que as iniciativas mais bem-sucedidas tratam a alfabetização em IA como um programa abrangente de transformação organizacional.

    Estratégias complementares incluem programas de mentoria colaborativa e parcerias com instituições acadêmicas. O investimento do governo brasileiro no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) até 2028, no valor de R$23 bilhões, sinaliza a urgência nacional dessa transformação.

    O impacto real da alfabetização em IA nos negócios

    Empresas que implementam programas de AI Literacy colhem resultados mensuráveis. A melhoria na tomada de decisão é um benefício concreto, com a redução do tempo entre insight e ação, criando uma vantagem competitiva sustentável. Paralelamente, observa-se a criação de uma verdadeira cultura de inovação.

    “O AI Literacy representa mais que capacitação técnica: é o catalisador que transforma organizações reativas em líderes proativos da era digital”, conclui Simon. As empresas que abraçarem essa jornada hoje moldarão o futuro de seus mercados.

  • IA responsável para saúde mental: especialistas definem caminhos

    IA responsável para saúde mental: especialistas definem caminhos

    IA responsável para saúde mental: especialistas definem caminhos

    A inteligência artificial (IA) avança rapidamente, prometendo transformar diversas áreas, inclusive a saúde mental. Contudo, a crescente interação dessas tecnologias com indivíduos em momentos de vulnerabilidade emocional exige um olhar atento para garantir que segurança, responsabilidade e bem-estar humano sejam prioridades. Em 29 de janeiro de 2026, mais de 30 especialistas internacionais nos campos da IA, saúde mental, ética e políticas públicas se reuniram em um workshop online para discutir justamente esses desafios.

    Organizado pelo Delft Digital Ethics Centre (DDEC) da Delft University of Technology (TU Delft), o evento, apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), buscou delinear um futuro mais seguro para a aplicação de IA no cuidado da saúde mental. A preocupação central reside no uso de ferramentas de IA generativa, que não foram desenvolvidas nem testadas especificamente para saúde mental, mas que estão sendo cada vez mais empregadas para suporte emocional, especialmente por jovens.

    Os riscos da IA generativa na saúde mental

    A Dra. Alain Labrique, diretora do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e IA da OMS, destacou a urgência da situação: “À medida que a IA interage cada vez mais com as pessoas em momentos de vulnerabilidade emocional, nós, como OMS e partes interessadas, devemos garantir que esses sistemas sejam projetados e governados com segurança, responsabilidade e bem-estar humano em seu cerne.”

    O desafio é amplificado pela velocidade com que a IA generativa está sendo adotada, ultrapassando o investimento em pesquisa para compreender seus impactos na saúde mental. Sameer Pujari, líder de IA da OMS, ressaltou essa lacuna: “Estamos em um momento crítico. O ritmo de adoção da IA na vida cotidiana das pessoas superou em muito o investimento na compreensão de seu impacto na saúde mental. Fechar essa lacuna requer ação coordenada e recursos dedicados de ambos os setores, público e privado.”

    Recomendações cruciais para o futuro

    O workshop culminou em três recomendações principais para orientar o caminho a seguir:

    • Reconhecer o uso de IA generativa como uma questão de saúde pública mental, exigindo respostas proporcionais de governos, sistemas de saúde e indústria, abrangendo todas as soluções de IA, não apenas as voltadas para saúde mental.
    • Integrar a saúde mental nas avaliações de impacto e monitoramento de soluções de IA para compreender melhor seus efeitos nos determinantes da saúde, medidas clínicas de curto prazo e resultados de longo prazo, como a dependência emocional. Um participante enfatizou a necessidade de investimentos independentes para testar esses efeitos.
    • Co-desenvolver ferramentas de IA para suporte em saúde mental em colaboração com especialistas da área e pessoas com vivência direta, incluindo jovens. Essas ferramentas devem ser baseadas em evidências sólidas e adaptadas a fatores culturais, linguísticos e contextuais.

    Colaboração e Governança: Pilares para a IA Responsável

    A importância da colaboração interdisciplinar foi um ponto forte do debate. O Dr. Kenneth Carswell, do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OMS, acrescentou que minimizar os riscos e maximizar os benefícios da IA generativa em saúde mental exige a união de vozes: “Minimizar riscos da IA generativa para a saúde mental, ao mesmo tempo que se maximizam os benefícios, requer reunir as vozes daqueles mais afetados, expertise clínica e de pesquisa, governança e estruturas regulatórias, e dados para informar a compreensão. A OMS está comprometida em garantir que o bem-estar dos usuários permaneça no centro à medida que essas ferramentas evoluem.”

    A Dra. Caroline Figueroa, da TU Delft, sublinhou a necessidade urgente de consenso sobre frameworks de encaminhamento em crises e sistemas de responsabilização. O workshop também ilustrou como o mecanismo de Centros Colaboradores da OMS se tornou fundamental para a visão da organização em IA responsável na saúde, mobilizando expertise acadêmica e convocando diversas partes interessadas internacionais para gerar recomendações baseadas em evidências.

    Olhando para o futuro, a OMS está estabelecendo um Consórcio de Centros Colaboradores em IA para a Saúde, uma rede de instituições líderes em todas as seis regiões da OMS. O objetivo é apoiar os Estados Membros na adoção responsável da IA. Um encontro prévio com candidatos a membros do consórcio ocorreu em março de 2026, onde as instituições alinharam prioridades e definiram mecanismos iniciais de colaboração para construir a infraestrutura necessária à governança da IA em saúde, fundamentada em evidências, ética e nas necessidades de populações diversas globalmente.

  • Rússia busca amplos poderes para restringir ferramentas estrangeiras de IA

    Rússia busca amplos poderes para restringir ferramentas estrangeiras de IA

    Rússia busca amplos poderes para restringir ferramentas estrangeiras de IA

    A Rússia está propondo novas regras que podem resultar na proibição ou restrição de ferramentas de inteligência artificial (IA) estrangeiras em seu território. As propostas, divulgadas pelo Ministério para o Desenvolvimento Digital do país, concederiam ao governo amplos poderes para regular o setor, alinhando-o à estratégia de criar uma internet soberana, protegida de influências externas e alinhada aos valores russos.

    O objetivo declarado das novas regras é proteger os cidadãos de manipulações e algoritmos discriminatórios. Essa iniciativa, que surge em um momento de crescente controle estatal sobre a internet russa, também visa impulsionar o desenvolvimento de ferramentas de IA nacionais, como as desenvolvidas pelo banco estatal Sberbank e pelo grupo de tecnologia Yandex. As regulamentações devem entrar em vigor no próximo ano, após avaliações e aprovação governamental.

    Regulamentação e preocupações com dados

    As novas normas especificam que a operação de tecnologias de IA transfronteiriças pode ser proibida ou restringida. Uma das principais preocupações é a transferência de dados de cidadãos russos para o exterior. Segundo a agência de notícias estatal RIA, ferramentas estrangeiras como ChatGPT, Claude e Gemini, desenvolvidas por empresas americanas (OpenAI, Anthropic e Google, respectivamente), estariam sujeitas a essas regras por transmitirem dados de usuários, consultas e diálogos para fora da Rússia.

    Para cumprir as novas exigências, modelos de IA utilizados por mais de 500 mil pessoas diariamente precisariam armazenar informações de usuários russos em território nacional por um período de três anos. A fonte também indica que modelos de IA estrangeiros, como o Qwen ou DeepSeek da China, poderiam ser adaptados e operados em ambientes fechados e proprietários de organizações governamentais e empresas russas, garantindo que os dados processados permaneçam dentro da infraestrutura do país.

    O contexto da proposta remete à ambição russa de estabelecer uma internet soberana, um esforço que visa proteger o país de influências estrangeiras e manter a conformidade com o que o governo define como “valores espirituais e morais tradicionais russos”. A necessidade de tais medidas, conforme comunicado pelo Ministério para o Desenvolvimento Digital, é proteger a população de manipulações e algoritmos considerados discriminatórios.

    Empresas de tecnologia ocidentais já demonstraram em ocasiões anteriores relutância em acatar exigências semelhantes de armazenamento de dados local. A extensão dessas regras para o setor de IA reflete uma tendência de aprofundamento do controle estatal sobre o ambiente digital na Rússia, com implicações significativas para o acesso e uso de tecnologias de inteligência artificial no país.

  • Brasil se prepara para sua primeira eleição com IA, mas está pronto?

    Brasil se prepara para sua primeira eleição com IA, mas está pronto?

    Brasil se prepara para sua primeira eleição com IA, mas está pronto?

    O Brasil está prestes a vivenciar um marco em 2026: sua primeira eleição presidencial com a inteligência artificial (IA) desempenhando um papel proeminente. No entanto, a rapidez com que essas tecnologias evoluem levanta sérias dúvidas sobre a capacidade das instituições e da legislação atual em gerenciar os riscos associados, especialmente no que tange à desinformação e manipulação.

    Desde 2018, o país tem visto um aumento na manipulação de informações e campanhas de desinformação em períodos eleitorais. Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem emitido resoluções para regular a publicidade online e o uso de tecnologias emergentes. Contudo, a ausência de um marco regulatório permanente para big techs e a rápida evolução da IA, como os modelos de linguagem grandes (LLMs), desafiam a eficácia dessas medidas.

    O avanço da IA e seus desafios eleitorais

    A popularização de ferramentas como o ChatGPT, lançadas em 2022, acelerou a preocupação com o uso de IA na disseminação de desinformação. Em 2024, uma resolução eleitoral brasileira incluiu pela primeira vez políticas relacionadas à IA generativa, exigindo a divulgação explícita de seu uso em anúncios políticos. Apesar disso, a eleição municipal foi marcada por desinformação gerada por LLMs, deepfakes e conteúdo político alterado.

    O cenário tecnológico evoluiu drasticamente nos últimos dois anos. O custo de execução de modelos de IA diminuiu, facilitando o desenvolvimento e a implantação de novas ferramentas. Lançamentos como Sora 2 e Nano Banana, que integram vídeo e imagens, e o avanço de agentes autônomos de IA, como Claude Code e GPT-5 agents, demonstram o ritmo acelerado dessa inovação.

    Brasil: um mercado ávido por tecnologia e seus riscos

    Os brasileiros são conhecidos por serem entusiastas e adotantes precoces de novas tecnologias. O país figura entre os três maiores em uso semanal do ChatGPT, com cerca de 140 milhões de mensagens trocadas diariamente. Essa receptividade, embora promissora para plataformas tecnológicas, também expõe a democracia a riscos, especialmente em períodos eleitorais críticos.

    Pesquisas indicam que chatbots de IA podem influenciar atitudes de eleitores por meio de conversas persuasivas. Além da capacidade de fornecer insights políticos, essas ferramentas apresentam riscos como outputs incorretos, alucinações e a rápida criação de conteúdo enganoso em larga escala e baixo custo.

    Novas regras e lacunas na regulamentação

    Diante da eleição presidencial de 2026, o TSE estabeleceu novas regras que incluem a divulgação obrigatória do uso de IA em publicidade política digital e um período de silêncio para conteúdo gerado por IA sobre candidatos. Há também uma responsabilidade ampliada das plataformas pela remoção de conteúdo não conforme.

    A resolução define “inteligência artificial” como “um sistema computacional desenvolvido com base em lógica, representação de conhecimento ou aprendizado de máquina, obtendo uma arquitetura que possibilite o uso de dados de entrada de máquinas ou humanos para, com graus variados de autonomia, produzir conteúdo sintético, previsões, recomendações ou decisões que atendam a um conjunto de objetivos pré-definidos e sejam capazes de influenciar ambientes virtuais ou reais”.

    No entanto, termos como “IA generativa”, “modelos de linguagem grandes” ou “chatbots” não são explicitamente definidos. A resolução tenta abranger sistemas de IA conversacional e plataformas de IA generativa, proibindo que provedores de serviços classifiquem, recomendem ou priorizem candidatos, expressem preferência eleitoral ou criem conteúdo audiovisual alterado.

    Desafios persistentes e o futuro da governança de IA

    Apesar de o TSE atualizar suas normas a cada dois anos, a janela para a regulamentação da IA é estreita, deixando lacunas críticas. A resolução atual não abrange ameaças de dispositivos vestíveis, como óculos inteligentes, nem o papel de companheiros de IA em conversas privadas. Além disso, não aborda o uso de agentes de IA por atores mal-intencionados ou o papel de “mini-techs” que oferecem serviços de IA com origens difíceis de rastrear.

    A decisão final sobre a resolução recai sobre um pequeno grupo de juízes do Supremo Tribunal Federal, que acumulam responsabilidades eleitorais e de regulação tecnológica. Essa sobreposição de funções e a limitada expertise técnica levantam questões sobre a capacidade do TSE de acompanhar a complexidade da IA.

    O modelo brasileiro de governança tecnológica tende a ser reativo e pontual. Na ausência de um quadro regulatório abrangente, o TSE se tornou o principal órgão regulador de IA no Brasil, mas sua atuação é limitada ao contexto eleitoral, deixando amplas questões de governança sem solução.

    O projeto de lei mais amplo para regulamentação da IA no Brasil (PL 2338/2023) está estagnado na câmara legislativa. Apesar dos apelos por urgência, a pressão da indústria de tecnologia tem dificultado o progresso. Essa falta de legislação nacional tem sobrecarregado o TSE, forçando-o a criar regulamentos complexos em um momento de crescente desenvolvimento e riscos da IA.

  • A inteligência artificial vai substituir os pós-graduandos?

    A inteligência artificial vai substituir os pós-graduandos?

    A inteligência artificial vai substituir os pós-graduandos?

    A crescente capacidade da inteligência artificial (IA) tem gerado um debate acalorado sobre seu impacto em diversas profissões, e a pesquisa acadêmica não é exceção. Um questionamento pertinente que surge é: a IA será capaz de substituir os pós-graduandos em suas funções? Levantamentos recentes indicam que cientistas, tanto experientes quanto iniciantes, já utilizam a IA com frequência para otimizar tarefas e acelerar a produção científica, antecipando uma ampla aceitação dessas ferramentas em um futuro próximo.

    Embora muitos vejam a IA como uma aliada poderosa na pesquisa, capaz de aumentar a produtividade em um ambiente onde “publique ou pereça” é a norma, a ideia de substituição levanta preocupações significativas. Especialmente para os estudantes de pós-graduação, que formam a espinha dorsal de muitas investigações científicas, o avanço da IA pode significar uma mudança drástica em seu papel e valor no ecossistema da pesquisa.

    Uso atual e percepções da inteligência artificial na pesquisa

    Um levantamento da editora acadêmica internacional Wiley, com cerca de 5 mil pesquisadores de 70 países, revela que a maioria considera a IA importante para a pesquisa e publicação. Surpreendentemente, metade dos respondentes acredita que modelos generativos já superam humanos em tarefas cruciais como resumir resultados, detectar erros de escrita e plágio, e organizar referências.

    A expectativa geral é de rápida adoção. Tarefas como redação de documentação científica e identificação de colaboradores são vistas como áreas de aceitação iminente: 57% dos entrevistados preveem isso em menos de dois anos. Adaptação de comentários de revisores, otimização de alocação de recursos e recomendações para revisão por pares também são apontados para adoção em prazos curtos.

    Apesar do otimismo, o uso cotidiano da IA na pesquisa ainda é relativamente limitado. Dos primeiros respondentes, apenas 45% já haviam utilizado ferramentas de IA, concentrando-se em traduções, revisões linguísticas e edição de manuscritos – tarefas consideradas menos inovadoras.

    O debate sobre o valor do pós-graduando frente à IA

    A discussão sobre a relevância dos pós-graduandos ganha força com reflexões como a de Ariel Rosenfeld, cientista que questionou em um artigo: “Por que eu posso ‘contratar’ IA em vez de um estudante de pós-graduação?”. Ele argumenta que a IA, embora não seja um parceiro intelectual extraordinário, executa competências de forma imediata, sem exigir adaptação, reuniões ou suporte emocional.

    Rosenfeld reconhece que esse pensamento desconcertante não implica que os pesquisadores em nível de pós-graduação não têm valor; no longo prazo, são inestimáveis. No entanto, ele levanta a preocupação de que os estudantes passem a atuar apenas como intermediários entre a ideia bruta e o resultado gerado pela IA.

    Por outro lado, muitos pós-graduandos contestam essa visão. A coleta, preparação e tratamento de dados, etapas fundamentais e muitas vezes esperadas pelos orientadores, são atividades que demandam um profundo entendimento e julgamento humano, algo que a IA, em muitas áreas, ainda não consegue replicar.

    A formação de novos pesquisadores também é um ponto crucial. Posições de mestrado e doutorado são vistas como essenciais para que novas gerações demonstrem seu valor e aprendam a fazer pesquisa, um processo que vai além da escrita e publicação, incluindo estudo aprofundado e avaliação crítica do trabalho alheio.

    O futuro da pesquisa com e sem a inteligência artificial

    O uso da IA na pesquisa, quando acompanhado de senso crítico, é visto por muitos como benéfico, especialmente para tarefas mecânicas e repetitivas. Ferramentas que auxiliam na elaboração de scripts para análises, revisão de gramática e sintaxe, e clareza na comunicação podem poupar tempo e esforço valiosos.

    No entanto, é imperativo que o pesquisador compreenda a lógica por trás das sugestões da IA e valide os resultados obtidos. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa para acelerar o processo científico, mas o julgamento, a interpretação e a inovação continuam a depender da mente humana. A substituição completa dos pós-graduandos é um cenário distante, mas a adaptação e a redefinição de seus papéis frente às novas tecnologias são uma realidade cada vez mais presente.

    João Lucas da Silva, mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pampa e doutorando na mesma instituição, reflete sobre a importância de novas mentes trazerem novas ideias. A interação e a sobreposição de perspectivas entre orientandos e orientadores são essenciais para a emergência de resultados inesperados e inovadores, algo que a sobreposição de uma única mente consigo mesma, como a da IA, não pode replicar.

    Em suma, a IA não é vista como uma ameaça de substituição total, mas sim como uma ferramenta que pode aprimorar o trabalho científico. A responsabilidade pelo desenvolvimento da ciência, especialmente no Brasil, recai em grande parte sobre os pós-graduandos. O desafio reside em utilizar a IA de forma ética e eficaz, garantindo que ela sirva como um complemento e não como um substituto para o intelecto e a criatividade humana.

  • Brasil e Japão trocam experiências nos setores de telecomunicações, inteligência artificial e infraestrutura digital

    Brasil e Japão trocam experiências nos setores de telecomunicações, inteligência artificial e infraestrutura digital

    Brasil e Japão intensificam colaboração em tecnologias de ponta

    Representantes do Ministério das Comunicações do Brasil participaram do II Diálogo Brasil-Japão sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, realizado em Tóquio. O encontro, que ocorreu entre 17 e 19 de março de 2026, evidenciou a forte relação histórica entre as nações e as vastas oportunidades de cooperação futura no campo das telecomunicações, inteligência artificial e infraestrutura digital. A delegação brasileira, composta por autoridades como a secretária-executiva Sônia Faustino e representantes da Anatel e dos Correios, buscou identificar desafios comuns e oportunidades para parcerias estratégicas.

    As discussões centrais giraram em torno de como enfrentar desafios semelhantes e capitalizar oportunidades únicas para o avanço conjunto. A tecnologia Open RAN emergiu como um ponto crucial no debate sobre telecomunicações. Essa abordagem, que utiliza interfaces abertas para desagregar hardware e software, promete aumentar a competitividade, reduzir custos, fortalecer a segurança da cadeia de suprimentos e impulsionar a inovação no setor.

    Infraestruturas digitais para a economia do futuro

    O papel das infraestruturas digitais, incluindo data centers, cabos submarinos e redes avançadas, como alicerce para o desenvolvimento da inteligência artificial e da economia digital, também foi um tópico central. Iniciativas brasileiras como o Programa Norte Conectado foram apresentadas como exemplo de compromisso com a inclusão digital sustentável. Em contrapartida, a experiência japonesa em planejamento e infraestrutura madura ofereceu referências valiosas.

    A transmissão de energia sem fio (WPT) foi outro tema abordado, com potencial para transformar o ecossistema da Internet das Coisas (IoT), especialmente em aplicações industriais e urbanas. A cooperação internacional e a construção de padrões globais, inclusive no âmbito da União Internacional de Telecomunicações (UIT), foram destacadas como fundamentais nesse avanço.

    Avanços na radiodifusão e desafios no setor postal

    No âmbito da radiodifusão, a conversa focou na TV 3.0. Essa nova geração de televisão, com recursos como alta definição, interatividade, áudio imersivo e integração com a internet, reforça o papel social da radiodifusão, especialmente em situações de emergência e na prestação de serviços públicos. “A TV 3.0 revigorará a radiodifusão, e a cooperação com o Japão e a padronização internacional são fundamentais para melhorar o sistema brasileiro. Não apenas uma nova TV, mas uma nova forma de interagir com a TV, lembrando que toda tecnologia tem responsabilidade social”, afirmou Sônia Faustino.

    O diálogo sobre o setor postal revelou desafios globais compartilhados: a queda no volume de correspondências físicas e o crescimento expressivo do comércio eletrônico. A necessidade de sustentabilidade econômica e ambiental nesse setor foi amplamente discutida. As experiências japonesas em inovação, automação e diversificação de serviços foram apontadas como importantes lições para o Brasil, que busca modernizar seu marco regulatório e garantir a universalização dos serviços com eficiência.

    Visitas técnicas a gigantes da tecnologia

    A comitiva brasileira aproveitou a oportunidade para realizar visitas técnicas a empresas de destaque no mercado, como Sony, OREX e Toshiba. Essas visitas tiveram como objetivo a identificação e concretização de soluções de alta tecnologia que moldarão o futuro da infraestrutura digital e da logística nos próximos anos.

  • Cazaquistão impulsiona Aitu com chats gratuitos e IA

    Cazaquistão impulsiona Aitu com chats gratuitos e IA

    Cazaquistão impulsiona uso do mensageiro nacional Aitu com chats gratuitos e ferramentas de IA

    O Cazaquistão está implementando medidas estratégicas para aumentar a adoção e o uso do seu mensageiro nacional, o Aitu. A iniciativa visa tornar a comunicação mais acessível, eliminando barreiras financeiras e incorporando tecnologias de inteligência artificial para oferecer funcionalidades avançadas aos cidadãos.

    Em 2025, o governo já vinha promovendo ativamente o Aitu. Agora, a nova estratégia focará em garantir que o aplicativo ofereça comunicação totalmente gratuita. Isso significa que, mesmo com saldo zero ou pacotes de dados vazios, os usuários poderão continuar se comunicando sem interrupções. Discussões com operadoras de telefonia móvel já estão em andamento para concretizar este suporte.

    Expansão do alcance e adoção do Aitu

    O objetivo principal é beneficiar todos os cidadãos, facilitando o acesso à comunicação digital. O vice-ministro de Desenvolvimento Digital e IA, Dmitriy Mun, ressaltou que uma campanha de conscientização já foi realizada, focada na adoção do mensageiro nacional por servidores públicos em seus ambientes de trabalho.

    A resposta do público tem sido positiva. O vice-ministro informou que o aplicativo Aitu já foi baixado por mais de um milhão de usuários na plataforma Google Play, demonstrando o crescente interesse pela ferramenta.

    Integração de ferramentas de Inteligência Artificial

    Além de tornar a comunicação mais acessível, o governo planeja integrar ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA) ao mensageiro. O objetivo é capacitar os cidadãos, oferecendo recursos que auxiliem na resolução de diversas tarefas práticas do dia a dia.

    Atualmente, o aplicativo já conta com aproximadamente 20 ferramentas de IA disponíveis. Essa integração promete transformar o Aitu em uma plataforma ainda mais versátil e útil para a população.

    Anteriormente, já havia sido noticiado que o Cazaquistão planeja integrar todos os seus serviços públicos aos aplicativos eGov e Aitu, consolidando ainda mais a importância do mensageiro nacional na infraestrutura digital do país.

  • ASSERJ capacita profissionais de RH em workshop sobre Inteligência Artificial

    ASSERJ capacita profissionais de RH em workshop sobre Inteligência Artificial

    ASSERJ capacita profissionais de RH em workshop sobre Inteligência Artificial

    A ASSERJ, através da sua Escola ASSERJ, realizou em 11 de março um workshop focado na capacitação de profissionais de Recursos Humanos de empresas associadas. O evento, intitulado “IA como parceira estratégica do RH”, aconteceu presencialmente no Centro do Rio de Janeiro e teve como objetivo explorar as aplicações práticas da Inteligência Artificial no dia a dia da gestão de pessoas.

    O encontro proporcionou aos participantes uma imersão no universo da IA aplicada ao RH, com a condução de professores do Senac. Os profissionais tiveram a oportunidade de conhecer e testar ferramentas digitais que estão revolucionando processos de recrutamento, treinamento, análise de dados e tomada de decisão nas corporações.

    Ferramentas práticas para o RH

    Durante o workshop, os participantes utilizaram as ferramentas diretamente em seus computadores. O professor do Senac, William Firmino, destacou a abordagem prática: “Foi um workshop totalmente prático: cada participante ficou no computador testando as plataformas, criando conteúdos e experimentando as possibilidades na hora. Todo mundo colocou a mão na massa”.

    Entre as tecnologias apresentadas estava o NotebookLM, desenvolvido pelo Google. Esta ferramenta permite compilar textos, documentos, vídeos e outras fontes para gerar resumos automáticos e converter conteúdos em diferentes formatos, sendo uma aliada na organização de informações e aceleração de análises.

    “Mostramos o NotebookLM, que permite inserir arquivos, pesquisar na internet e gerar automaticamente resumos, podcasts, vídeos e até relatórios sobre determinado assunto. É uma ferramenta gratuita e muito útil para organizar informações e acelerar análises”, explicou Firmino.

    Outras plataformas abordadas incluíram o Gemini (Google), o ChatGPT (OpenAI) e o Gamma, este último utilizado para a criação de apresentações, imagens e vídeos. O foco foi demonstrar como essas soluções podem automatizar tarefas rotineiras do RH.

    IA na rotina de gestão de pessoas

    O workshop incluiu simulações de situações comuns do RH. Uma das dinâmicas consistiu em utilizar a IA para criar a descrição de uma vaga de analista de perdas e danos. O material gerado no ChatGPT foi, em seguida, transformado em infográficos e apresentações visuais com outras plataformas.

    “Criamos uma vaga no ChatGPT, geramos o texto completo e depois utilizamos outras ferramentas para transformar esse material em slides e infográficos. Também mostramos como analisar planilhas e transformar dados em visualizações mais claras”, detalhou Firmino.

    Atividades criativas como a geração de imagens, vídeos e músicas por meio de IA também fizeram parte da programação, evidenciando a versatilidade da tecnologia em diversos contextos corporativos.

    O futuro do RH com a Inteligência Artificial

    O principal objetivo da capacitação, segundo Firmino, foi demonstrar que a IA pode assumir tarefas repetitivas e operacionais. Isso permite que os profissionais de RH dediquem mais tempo a atividades estratégicas, como o desenvolvimento de talentos e a construção de uma cultura organizacional robusta.

    “A ideia é automatizar processos burocráticos para que o RH possa dedicar mais tempo às pessoas, ao desenvolvimento de talentos e à construção de uma cultura organizacional mais forte”, concluiu o professor.

    Adriana Alves, analista de educação corporativa da ASSERJ, ressaltou o papel da Escola ASSERJ na qualificação contínua: “A Escola ASSERJ tem o compromisso de capacitar e preparar os profissionais do varejo supermercadista para os desafios do mercado. Nosso objetivo é oferecer conteúdos atuais, alinhados às transformações do mundo do trabalho, para que as empresas do setor possam se desenvolver, inovar e fortalecer ainda mais suas equipes”.

    Com iniciativas como esta, a Escola ASSERJ reafirma seu compromisso com a formação profissional e a preparação do setor supermercadista para os desafios da transformação digital.

  • Inteligência artificial e rotulagem obrigatória: um debate urgente

    Inteligência artificial e rotulagem obrigatória: um debate urgente

    Inteligência artificial e rotulagem obrigatória

    A rápida evolução da inteligência artificial (IA) generativa tem levantado preocupações globais sobre a veracidade do conteúdo que consumimos. A escalada do conflito no Oriente Médio, por exemplo, foi marcada pela disseminação em tempo real de vídeos e imagens, uma parte significativa dos quais, segundo o O Globo [1], era falsa ou manipulada por IA. Esse cenário, que se repetiu em tragédias como as chuvas em Minas Gerais, onde imagens falsas circularam em meio à comoção, evidencia a necessidade urgente de medidas para distinguir o real do artificial.

    O uso de IA para criar narrativas contrafactuais, embora possa ter fins lúdicos, como a famosa imagem do Papa Francisco com um casaco estiloso em 2023 [3], também pode servir a propósitos perigosos. Governos poderiam usá-la para manipular informações sobre guerras, ou indivíduos para espalhar pânico e desinformação. A facilidade de acesso a ferramentas de IA por qualquer usuário de smartphone amplia esse risco, como visto em vídeos de líderes políticos anunciando rendições ou em falsas explosões próximas a edifícios governamentais [4, 5].

    Usos comerciais e o grave risco de manipulação

    No âmbito comercial, a IA tem sido empregada para promover produtos e serviços de forma enganosa. Um exemplo notório foi um vídeo falso do ex-jogador Ronaldo Fenômeno promovendo um jogo de azar, que permaneceu no ar por meses, gerando vendas antes de ser removido pela Meta [6]. O cenário se torna ainda mais alarmante com o surgimento de ferramentas como o Grok, do X (antigo Twitter). Lançado em dezembro de 2024, o Grok, além de suas funcionalidades de resposta, passou a gerar imagens fictícias a partir de pessoas reais. No início de 2026, usuários utilizaram a ferramenta para criar montagens sexualizadas e pornográficas, inclusive envolvendo crianças, levantando sérias questões éticas e legais [7].

    Os dados indicam uma escalada preocupante: pesquisas apontam para um crescimento de 308% em conteúdos falsos criados por IA no Brasil entre 2024 e 2025 [8]. O crescente realismo dessas criações dificulta cada vez mais a distinção entre o que é genuíno e o que é fabricado, tornando imperativa a adoção de medidas de controle.

    Avanços na regulação: Coreia do Sul e China como exemplos

    Diante deste panorama, a regulamentação da IA se torna um tema central. A Coreia do Sul, pioneira na matéria, aprovou em dezembro de 2024 a “Lei Básica sobre IA”, em vigor desde janeiro de 2026. Esta legislação exige que empresas informem os consumidores sobre o uso de IA generativa em seus produtos e serviços, além de identificar claramente conteúdos produzidos por essas tecnologias quando não puderem ser facilmente diferenciados da realidade. A lei sul-coreana prevê multas significativas para os infratores, buscando criar uma “base segura e confiável para apoiar a inovação em IA” [9].

    A China também implementou diretrizes para a rotulagem obrigatória de materiais gerados por IA e recomendações automatizadas [10]. Esses exemplos internacionais demonstram um movimento global em direção à transparência.

    O Brasil e a regulamentação em andamento

    O Brasil ainda não possui uma lei abrangente dedicada à IA, embora o Projeto de Lei nº 2338/2023 esteja em debate no Senado Federal. Contudo, não há um vácuo normativo total. O Código Civil, em seu artigo 20, já permite a proteção da imagem e voz contra exploração ilícita por ferramentas de IA [11]. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) também coíbe tais práticas.

    Em um contexto eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo importante ao aprovar, em março de 2026, a Resolução 23.755/2026. A nova norma altera a Resolução 23.610/2019 e estabelece regras claras para o uso de IA nas eleições. Entre as proibições, destacam-se a impossibilidade de sistemas de IA indicarem ou sugerirem candidatos e a vedação à circulação de conteúdos gerados artificialmente nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito [13].

    O TSE também impõe a rotulagem obrigatória de conteúdo produzido por IA em propaganda eleitoral. A resolução determina que, ao utilizar IA para criar, modificar ou manipular imagens ou sons, o responsável pela propaganda deve informar de maneira explícita, destacada e acessível que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi empregada [14]. Essa exigência de rotulagem se estende a chatbots e avatares, com a vedação de simulações de interlocução com candidatos ou pessoas reais. A violação acarreta a remoção imediata do conteúdo ou a indisponibilidade do serviço [15].

    A rotulagem como ferramenta de mitigação de riscos

    A rotulagem obrigatória, nos moldes do que já preconiza o Código de Defesa do Consumidor ao exigir que a publicidade seja facilmente identificável [16], visa mitigar os riscos de práticas danosas sem proibi-las por completo. Ao informar os destinatários sobre a intervenção tecnológica, permite que a avaliação da mensagem seja feita com base no juízo crítico individual, ciente de que há uma manipulação artificial.

    A proliferação descontrolada de conteúdos falsos via IA, exemplificada em eventos internacionais e nacionais, reforça a urgência da rotulagem obrigatória. Em um ano eleitoral sensível para a democracia brasileira, essa medida se configura como um escudo essencial contra a manipulação da sociedade, garantindo que os cidadãos possam tomar decisões informadas, com plena ciência da origem do conteúdo que consomem.