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  • Inteligência artificial fortalece fiscalização do Fundo de Pensão da ONU

    Inteligência artificial fortalece fiscalização do Fundo de Pensão da ONU

    Inteligência artificial fortalece fiscalização do Fundo de Pensão da ONU

    Uma nova fronteira na fiscalização de fundos de previdência internacional foi inaugurada com o uso da inteligência artificial (IA) pela equipe do projeto AuditaONU. A auditoria, focada na precisão dos cálculos do Fundo de Pensão das Nações Unidas (United Nations Joint Staff Pension Fund – UNJSPF) para 2025, inovou ao abandonar o método tradicional de amostragem. Em vez disso, optou-se por uma metodologia de cobertura total, que recalculou independentemente 11.356 novos registros certificados até outubro de 2025, totalizando um montante auditado de US$ 603,5 milhões.

    O principal objetivo dessa abordagem pioneira foi garantir a integridade e a precisão dos pagamentos de previdência de milhares de funcionários do sistema ONU, que anualmente somam mais de US$ 3,5 bilhões. A aplicação da IA permitiu uma análise detalhada de aposentadorias regulares, antecipadas, diferidas e resgates por desligamento, assegurando que todos os direitos dos beneficiários fossem preservados e os cálculos estivessem em conformidade com as complexas regras do regulamento.

    A inovação por trás da cobertura total

    O desafio de transformar um regulamento intrincado em lógica de cálculo executável foi superado com o emprego estratégico da inteligência artificial. Segundo o auditor Dennys Nadson, a IA foi fundamental para organizar as regras e estruturar o algoritmo, viabilizando a construção de uma solução robusta em um prazo considerado previamente inviável. Essa metodologia possibilitou verificar de forma sistemática a aderência dos cálculos do UNJSPF às normas estabelecidas.

    Durante o processo, mais de 100 diretrizes e situações normativas que impactam o cálculo de benefícios foram identificadas. A aplicação do modelo de recálculo independente, impulsionado pela IA, levou à identificação de duas ocorrências de erro de cálculo, que foram devidamente tratadas como achados de auditoria. Essa precisão eleva o nível de confiança no sistema de pagamentos do UNJSPF.

    Etapas do desenvolvimento da ferramenta de fiscalização

    O desenvolvimento da ferramenta própria de fiscalização, concluído em dois meses, seguiu etapas rigorosas para garantir sua eficácia:

    • Mapeamento normativo: Realizou-se um levantamento detalhado das regras do UNJSPF. Critérios de elegibilidade, tempos de contribuição e fórmulas de remuneração foram traduzidos para parâmetros lógicos.
    • Modelagem com inteligência artificial: A IA atuou como suporte estratégico para organizar regras de alta complexidade, transformando-as em um modelo de cálculo automatizado. A tecnologia agilizou o processamento de dados em larga escala e a estruturação de fórmulas complexas.
    • Validação técnica: Apesar da automação, todas as análises e conclusões passaram por rigorosa validação técnica realizada pelos auditores.

    A integração entre o conhecimento técnico dos auditores e a inteligência artificial foi crucial. Conforme explica Marcelo Pacote, diretor do Núcleo de Dados da Secretaria de Auditoria Externa das Nações Unidas e supervisor da auditoria, a abordagem permitiu ao Tribunal de Contas da União (TCU) confrontar de forma independente os valores recalculados com os determinados originalmente pelo Fundo. Isso possibilitou uma análise abrangente de variáveis que, em métodos tradicionais, demandaria meses de trabalho.

    Esta iniciativa, supervisionada por Marcelo Pacote e liderada por Wesley Vaz, com a participação de Dennys Nadson Yuzuki, Marcus Vinícius Borela e Raony Luna Ribeiro, estabelece um novo paradigma para a fiscalização internacional, assegurando a integridade financeira do fundo e a preservação dos direitos dos beneficiários.

    O Brasil, representado pelo TCU, assumiu em julho de 2024 um mandato no Conselho de Auditores da Organização das Nações Unidas (ONU), atuando ao lado de França e China na auditoria externa das finanças do organismo internacional.

  • Uso de inteligência artificial e cooperação institucional são temas de debate

    Uso de inteligência artificial e cooperação institucional são temas de debate

    A utilização da inteligência artificial (IA) na atividade judicante e a importância da cooperação institucional foram os pontos centrais de debate durante um evento que reuniu representantes de conselhos regionais de medicina em 2026. Os discussões destacaram os potenciais benefícios e os desafios éticos e práticos dessas ferramentas no cenário atual.

    Um dos focos principais foi a aplicação da IA na medicina, com especial atenção às questões de sigilo e segurança das informações do paciente. A preocupação reside em garantir que dados sensíveis permaneçam protegidos ao serem inseridos em sistemas, mesmo que a IA possa auxiliar no julgamento de mérito.

    Inteligência artificial na prática médica

    Ricardo Hernane Lacerda Gonçalves de Oliveira, presidente do CRM-MG, liderou a discussão sobre o uso da IA, levantando questionamentos cruciais sobre a confidencialidade dos dados. “Devemos nos atentar ao sigilo das informações do paciente. Os nossos procedimentos precisam tramitar em sigilo – pela segurança do médico e do paciente. A partir do momento que esses dados são colocados em um sistema, quais as garantias que nós temos de que essas informações estarão seguras?”, indagou.

    Apesar das ressalvas, reconheceu-se que a IA pode ser uma aliada valiosa no exercício da função judicante. A condição para seu uso eficaz é a cautela, mantendo sempre o juízo final e a responsabilidade sobre a matéria sob a alçada do conselheiro federal competente.

    Tereza Cristina Brito Azevedo, presidente do CRM-PA, ressaltou a relevância do tema e a atuação do CFM. “A I.A se tornou rotina na prática médica e, com a recente resolução, o CFM estabeleceu critérios claros para seu uso com responsabilidade dentro da assistência à saúde”, afirmou.

    Cooperação institucional para aprimoramento de processos

    A quarta mesa do evento abordou a cooperação institucional com a Receita Federal e juntas comerciais, focando no aprimoramento de processos de fiscalização, cobrança e controle cadastral.

    Eduardo Pinto Gomes, presidente do CRM-TO, apresentou dados sobre o impacto positivo dessa colaboração em Tocantins. O alinhamento dos processos internos permitiu identificar empresas e iniciar uma comunicação mais efetiva. “Nos últimos dez anos, tivemos um aumento significativo de registros de pessoas jurídicas; tendo nossos processos internos alinhados, conseguimos ter bons resultados”, ratificou.

    A expansão da análise de registros e a implantação de ferramentas como chatbots são projetos em estudo para otimizar ainda mais essas ações. Gomes também mencionou o plano de integrar os bancos de dados de todos os CRMs do Brasil. “Estamos estudando caminhos para integrar os bancos de dados e, consequentemente, todos os CRMs do Brasil”, concluiu.

    Ambas as mesas contaram com a participação ativa de congressistas presenciais e ouvintes online, que interagiram com os expositores enviando perguntas e comentários, enriquecendo o debate sobre esses temas cruciais para a medicina e a administração pública.