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    Festival em SP exibe 38 filmes realizados com inteligência artificial

    Em São Paulo, o Festival Mundial de Cinema com Inteligência Artificial (WAIFF 2026) exibirá 38 filmes que foram realizados com o auxílio de ao menos três ferramentas de inteligência artificial. O evento, que acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro, busca ampliar a discussão sobre o papel crescente da tecnologia no mercado audiovisual. A iniciativa propõe a reflexão sobre as transformações em curso na indústria cinematográfica.

    A programação do festival vai além das exibições, incluindo também painéis, palestras, workshops e rodadas de negócios, todos com um foco central nas implicações da IA. Os 38 filmes finalistas serão apresentados em diferentes gêneros, como animação, ação, emoção, fantasia e documentário, demonstrando a versatilidade das ferramentas de criação digital.

    A inteligência artificial invade o território da criação

    O avanço da inteligência artificial no cinema representa não apenas uma mudança de ferramenta, mas de paradigma. Diferentemente de transformações anteriores, como a chegada do som, da cor ou do digital, que foram essencialmente técnicas, a IA agora atua diretamente no campo da criação. Ela não se limita a executar tarefas, mas também sugere, reorganiza, simula e aprende padrões, alterando fundamentalmente o processo de produção cinematográfica.

    “Vejo a ferramenta como algo que pode ajudar a viabilizar projetos. Se a pessoa está fazendo um filme cuja trama se passa no Japão dos anos 1940, como recriar esse contexto? É muito complexo. Nesse caso, acredito que a pessoa pode assumir uma linguagem específica para esse recorte e contar, nessa parte, com inteligência artificial”, afirma Carlos Guedes, diretor do festival.

    Democratização e polêmicas da IA no cinema

    Defensores da inteligência artificial enxergam na tecnologia uma oportunidade de democratização sem precedentes. Realizadores independentes podem agora gerar cenários complexos, testar movimentos de câmera e estruturar pré-visualizações que antes demandavam equipes extensas e orçamentos elevados. No entanto, a origem dos vastos bancos de dados utilizados para treinar esses modelos nem sempre é transparente, levantando questionamentos sobre apropriação de estilos e autoria.

    A questão ética surge quando estilos são assimilados, replicados e recombinados pelos algoritmos. Surge a polêmica: onde termina a referência e onde começa a apropriação? E, fundamentalmente, quem detém a autoria quando uma parte significativa do processo criativo é realizada por um sistema algorítmico?

    Preocupações e o futuro do trabalho no audiovisual

    Críticos apontam um risco na padronização estética, onde ferramentas amplamente utilizadas podem gerar imagens com paletas e composições reconhecíveis e similares. Essa preocupação se estende para além da área trabalhista, tocando também em aspectos simbólicos e criativos. Carlos Guedes ressalta que, embora haja apreensão sobre a perda de empregos, estudos indicam a criação de novas funções ainda inexistentes como consequência da IA.

    O debate sobre o papel da inteligência artificial no cinema está apenas em seus estágios iniciais. O objetivo do festival é justamente promover essa discussão, buscando entender como a tecnologia pode se integrar ao processo criativo sem comprometer a originalidade e os direitos autorais, explorando as novas possibilidades estéticas e narrativas que ela oferece.

    O WAIFF 2026 acontece na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, nos dias 27 e 28 de fevereiro, das 9h30 às 17h. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.