Tess AI se muda para o Vale do Silício após captar com fundos globais
A plataforma brasileira de agentes autônomos de IA, Tess AI, anunciou sua mudança para o Vale do Silício, Califórnia. A decisão estratégica ocorre após a startup levantar uma rodada seed de US$ 5 milhões com investidores internacionais renomados: Hi Ventures, DYDX Capital e Honeystone. A iniciativa visa impulsionar a expansão global da empresa.
Fundada com a premissa de que a inteligência artificial pode potencializar profissionais, a Tess AI busca desmistificar a ideia de que a IA substitui empregos. Pelo contrário, a empresa defende que a tecnologia atua como uma ferramenta de otimização, cancelando softwares redundantes em vez de demitir funcionários. “É o software que é demitido, não os funcionários. O inimigo número 1 dos agentes são os SaaS, não os trabalhadores”, afirmou Ricardo Barros, cofundador e CEO da Tess AI, em entrevista ao Startups.
Expansão internacional e validação estratégica
A mudança para São Francisco está prevista para abril de 2026. Atualmente, a Tess AI opera com aproximadamente 30 funcionários em regime remoto e sua nova sede no Vale do Silício será o centro de sua estratégia de crescimento internacional. Embora 80% a 85% de sua base de clientes ainda seja brasileira, a plataforma já conta com presença em 25 países, atendendo empresas como a francesa Publicis Groupe, a canadense Maple Bear e a chinesa State Grid.
A captação recente reuniu investidores com um histórico significativo no setor. A Hi Ventures, gestora mexicana, tem Federico Antoni, um investidor que aportou na Cornershop antes de sua aquisição pela Uber. A DYDX Capital conta com Ryan Nichols, ex-CPO do Salesforce Service Cloud, e a Honeystone foi cofundada por Sarah Soule, reitora da Stanford Graduate School of Business, juntamente com os professores Jonathan Levav e Yossi Feinberg. De acordo com Barros, a composição dos investidores valida a tese da empresa tecnicamente e academicamente, especialmente em um momento marcado pela era do “SaaSpocalypse” – termo que descreve a queda no valor de ações de softwares tradicionais diante da ascensão de ferramentas de IA.
Um novo modelo de precificação e adoção
Em contrapartida ao modelo de cobrança por usuário, comum em muitas empresas de IA, a Tess AI adota um modelo de precificação por tarefa executada. Essa abordagem, segundo a companhia, pode gerar uma economia de até 68% em comparação com o ChatGPT Business e até 90% frente ao ChatGPT Enterprise. Além disso, o modelo elimina barreiras de adoção, permitindo que qualquer funcionário crie e compartilhe seus próprios agentes de IA sem a necessidade de aprovação de TI ou licenças adicionais.
A visão da Tess AI é que, no futuro, cada colaborador possua seu próprio time de assistentes virtuais. “Na prática, só existe sucesso da Tess se existe sucesso de alguém dentro da empresa. Isso gera um efeito viral”, explicou Ricardo Barros. Esse modelo de crescimento orgânico, apelidado de “vibe working”, já demonstrou resultados expressivos. Em um ano de operação, mais de 16 mil colaboradores adotaram a plataforma, com 2,1 milhões de tarefas autônomas executadas. No último mês antes da notícia, o número de tarefas atingiu 600 mil, todas realizadas sem intervenção humana.
“Não é só vibe coding, porque o profissional consegue ter agentes ajudando a realizar tarefas que sozinho ele não conseguiria. Eles ajudam a destravar skills”, ressalta Renato Ferreira, cofundador e COO da Tess AI.
Plataforma robusta e metas futuras
A Tess AI opera como um marketplace com mais de 50 mil agentes de IA, integrando modelos de linguagem de empresas como OpenAI, Anthropic, Deepseek, Meta, Cohere e Google. A empresa se posiciona como uma plataforma de orquestração agêntica, diferenciando-se de simples agregadores de IA. Em benchmarks como o GAIA, referência para avaliação de agentes autônomos, a Tess AI afirma superar concorrentes como a Manus AI, adquirida pela Meta por mais de US$ 2 bilhões, em 10%.
“Nós lançamos um dos primeiros sistemas de orquestração agêntica do mundo. Na Tess, quando um usuário faz um pedido, existe um caminho customizado em que as IAs conversam entre si. Também criamos a ideia de consenso da IA, em que é possível checar se as IAs têm vieses”, detalhou Ricardo Barros, citando a capacidade de comparar visões de diferentes IAs, como as chinesas e americanas.
Para 2026, a meta da Tess AI é alcançar US$ 10 milhões em faturamento, um crescimento de mais de três vezes. A expansão internacional e o crescimento orgânico dentro das empresas já clientes são as principais apostas para atingir esse objetivo. A mudança para o Vale do Silício reflete a nova dinâmica do mercado de startups: “IA que não pensa globalmente, não existe”, concluiu Barros.
