Tag: Europa

  • Capital de risco global mobiliza bilhões para controlar a inteligência artificial

    Capital de risco global mobiliza bilhões para controlar a inteligência artificial

    O capital de risco global está convergindo em direção à inteligência artificial, com um fundo recém-lançado demonstrando a escala e a direção desse movimento. Um novo fundo de 232 milhões de dólares, divulgado pela Air Street Capital, evidencia a intensa mobilização financeira para moldar a próxima geração de gigantes tecnológicos. Este movimento de bilhões de dólares não é apenas sobre inovação, mas sim sobre quem deterrá o controle sobre as tecnologias que definirão o futuro.

    A corrida pelo domínio da inteligência artificial se intensifica com aportes significativos, levantando questões sobre a soberania digital e a concentração de poder. A forma como esse capital é investido e as regiões que o recebem ditam não apenas avanços tecnológicos, mas também critérios, interesses e valores que moldarão essas ferramentas poderosas.

    Air Street Capital lidera captação bilionária para IA

    A Air Street Capital, sediada em Londres e comandada por Nathan Benaich, anunciou a captação de seu Fund III, no valor de 232 milhões de dólares (equivalente a R$ 1,16 bilhão). Este fundo será destinado a startups de inteligência artificial com foco em operações na Europa e na América do Norte. Os investimentos planejados variam entre 500 mil e 25 milhões de dólares, abrangendo desde empresas em estágios iniciais até fases mais avançadas de crescimento.

    Com essa nova rodada, a Air Street Capital eleva o total de ativos sob sua gestão para 400 milhões de dólares. Este crescimento expressivo, com a capacidade de captação multiplicada por mais de treze em apenas quatro anos, reflete a alta demanda de investidores institucionais por participação no boom da inteligência artificial.

    Portfólio e histórico de sucesso da gestora

    O sucesso da Air Street Capital não se baseia apenas em promessas. O portfólio da gestora já inclui empresas que se tornaram referências no setor de IA, alcançando o status de unicórnio. Entre os exemplos notáveis estão a Black Forest Labs, especializada em modelos de geração de imagens, e a ElevenLabs, que se destaca pela síntese de voz realista. Estas são apostas em áreas cruciais da nova economia digital, onde a fusão de imagem, linguagem e automação gera produtos de alto valor estratégico.

    A gestora também possui um histórico de saídas bem-sucedidas. A Adept, startup focada em agentes autônomos para tarefas computacionais, foi adquirida pela Amazon. Outro caso relevante foi o da britânica Graphcore, desenvolvedora de processadores para IA, que acabou sendo comprada pelo grupo japonês SoftBank. Esses movimentos reforçam a credibilidade da Air Street Capital junto a investidores que buscam retornos rápidos em setores de vanguarda.

    Concentração geográfica e implicações geopolíticas

    O foco geográfico declarado do Fund III, restrito à Europa e à América do Norte, revela mais do que uma preferência regional. Essa concentração indica quem está financiando e, consequentemente, moldando a inovação de ponta em inteligência artificial. A concentração de capital em poucos centros urbanos resulta na centralização dos critérios, interesses e valores que guiarão o desenvolvimento dessas tecnologias.

    O debate sobre inteligência artificial transcende a esfera econômica, tornando-se estratégico. Quem financia a IA em larga escala não está apenas investindo em startups, mas também adquirindo influência sobre plataformas, padrões técnicos e cadeias de dependência.

    Essa dinâmica coloca o Sul Global em risco de ficar à margem. Países como o Brasil podem se ver reduzidos a meros consumidores de sistemas desenvolvidos, treinados e regulamentados a partir de prioridades estabelecidas em centros como Londres, São Francisco e Nova York. Tal cenário acarreta consequências diretas para a soberania digital, limitando a autonomia na definição de ferramentas que organizam informação, trabalho, linguagem e tomada de decisão.

    A resposta da China e a lacuna brasileira

    A China, antecipando as implicações estratégicas da IA, investiu massivamente em pesquisa estatal, fortaleceu empresas nacionais como Baidu e SenseTime e construiu um ecossistema próprio e protegido. Em contraste, a abordagem predominante na Europa e América do Norte, exemplificada pela Air Street Capital, tem sido a aposta na força do capital financeiro privado.

    No Brasil, o debate público sobre IA ainda oscila entre o receio de desemprego e o fascínio superficial com chatbots. Falta uma estratégia nacional coesa que articule universidades, empresas estatais, o setor privado e instrumentos de financiamento público, como o BNDES. Sem essa coordenação, o país corre o risco de apenas reagir às inovações externas, em vez de participar ativamente na definição do futuro tecnológico.

    Oportunidades e desafios para o Brasil

    Apesar dos desafios, o Brasil possui ativos valiosos. Instituições como a Embrapa, a Fiocruz e as universidades públicas formam uma base científica e institucional robusta, capaz de sustentar um projeto de desenvolvimento tecnológico em IA. O que falta, contudo, é escala de financiamento e uma visão de longo prazo.

    É fundamental que o Brasil desenvolva instrumentos próprios de investimento em inovação. O objetivo não é replicar a lógica financeira internacional, mas sim apoiar pesquisa avançada em linguagem natural voltada para o português, modelos treinados com dados brasileiros e latino-americanos, e aplicações em áreas estratégicas como agricultura tropical, saúde pública e gestão urbana. Essa agenda é essencial para garantir a soberania digital e a capacidade de decisão em um mundo cada vez mais moldado pela inteligência artificial.

    A mobilização de bilhões em capital de risco para controlar a inteligência artificial é um sintoma claro da velocidade e escala com que as tecnologias definidoras do nosso tempo estão sendo moldadas. Para o Brasil, a pergunta é: construiremos nossas próprias ferramentas para disputar esse futuro ou aceitaremos que ele seja desenhado por outros e apenas revendido a nós?

  • Google Investe €5 Bilhões em IA e Cloud na Bélgica em 2025

    Google Investe €5 Bilhões em IA e Cloud na Bélgica em 2025

    O Google anunciou um investimento expressivo de €5 bilhões na Bélgica, a ser aplicado ao longo dos próximos dois anos (2025 e 2026). O montante visa fortalecer a infraestrutura de inteligência artificial (IA) e computação em nuvem no país, consolidando a Bélgica como um polo estratégico para a inovação digital na Europa. Este compromisso financeiro representa um dos maiores da empresa no continente europeu e tem como objetivo impulsionar a economia digital local, além de expandir a capacidade de seus data centers.

    A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Google para posicionar a Bélgica como um centro de excelência em IA e tecnologia sustentável. O investimento se concentrará na expansão de data centers, desenvolvimento de novas tecnologias, implementação de energia renovável e programas de capacitação em inteligência artificial para a força de trabalho belga.

    Expansão da infraestrutura em Saint-Ghislain

    O foco principal deste investimento maciço está na expansão significativa dos campus de data centers em Saint-Ghislain. Esta região já é um local estratégico para as operações do Google na Bélgica e receberá um upgrade substancial em sua capacidade de processamento e armazenamento de dados. Os novos data centers serão equipados com tecnologia de ponta, projetados para suportar as intensas cargas de trabalho exigidas por aplicações de IA e computação em nuvem.

    As melhorias planejadas incluem a modernização dos sistemas de refrigeração e energia, a implementação de servidores especializados para IA, a ampliação da capacidade de armazenamento de dados e a otimização da conectividade de rede. A escolha de Saint-Ghislain não foi aleatória, beneficiando-se de sua localização geográfica e acesso a fontes de energia renovável, o que consolidará a área como um dos principais centros de dados do Google na Europa.

    Criação de empregos e capacitação em IA

    O investimento do Google na Bélgica prevê a criação de aproximadamente 300 novos empregos em tempo integral. Essas oportunidades abrangerão diversas áreas, desde engenharia de dados e operações de data center até o desenvolvimento de inteligência artificial, representando postos de trabalho de alta qualificação no setor tecnológico.

    Além da geração direta de empregos, a empresa lançará programas gratuitos de treinamento em inteligência artificial para trabalhadores belgas. Esses programas serão acessíveis a diferentes níveis de qualificação, incluindo aqueles com menos experiência. As iniciativas de capacitação incluirão:

    • Treinamento básico em conceitos de IA e machine learning.
    • Certificações em ferramentas do Google Cloud.
    • Workshops práticos sobre aplicações de IA.
    • Parcerias com organizações locais sem fins lucrativos para democratizar o conhecimento.

    O objetivo é preparar a força de trabalho local para as demandas do futuro digital, em parceria com organizações não-governamentais para garantir ampla acessibilidade.

    Sustentabilidade e energia renovável

    Um componente essencial do investimento é o compromisso com a sustentabilidade, através de novos acordos com fornecedores de energia renovável na Bélgica. O Google firmou parcerias estratégicas com empresas como Eneco, Luminus e Renner para desenvolver parques eólicos terrestres adicionais.

    Estas parcerias visam fornecer energia limpa para alimentar as operações expandidas em Saint-Ghislain e apoiar a transição energética da Bélgica para fontes renováveis. Os benefícios ambientais incluem a redução significativa da pegada de carbono dos data centers e a contribuição para as metas climáticas do país, servindo como um modelo de sustentabilidade para outras empresas de tecnologia.

    Impacto na economia digital europeia

    Com este investimento de €5 bilhões, a Bélgica se posiciona como um hub estratégico para inovação em IA na Europa. O movimento fortalece o ecossistema digital europeu e a competitividade tecnológica do continente, com potencial para atrair outras empresas e startups para a região.

    A expansão dos data centers acelerará a adoção de tecnologias de IA em diversos setores da economia europeia, como serviços financeiros, manufatura e saúde. Os impactos econômicos esperados incluem a atração de investimentos complementares, o desenvolvimento de um cluster de inovação em IA e a melhoria da conectividade digital regional. Esta iniciativa reforça a Europa como um player global em tecnologia, oferecendo uma alternativa europeia para serviços de nuvem e IA e demonstrando a confiança do Google no mercado europeu para investimentos de longo prazo.

  • AI use at work in Europe: Which countries lead — and why?

    AI use at work in Europe: Which countries lead — and why?

    A inteligência artificial (IA) generativa tem se integrado cada vez mais ao cotidiano, do ensino ao ambiente profissional. Contudo, apesar do uso crescente por muitos, a aplicação dessas ferramentas no contexto profissional ainda revela grandes disparidades na Europa. Em 2025, a Eurostat revelou que 15% das pessoas com idade entre 16 e 74 anos utilizavam IA para fins de trabalho no continente, mas esse número médio esconde realidades bem distintas.

    Noruega, com 35,4%, e Suíça, com 34,4%, destacam-se como líderes absolutos na adoção de IA no trabalho, seguidos de perto por Malta (29,6%), Dinamarca (27,2%), Holanda (26,6%), Estônia (25,1%) e Finlândia (25,1%). Essa liderança se deve a uma combinação de fatores como um forte setor público digital, alta confiança da população, habilidades avançadas e práticas empregadoras maduras, conforme explicou a professora Aleksandra Przegalińska da Kozminski University à Euronews Business. Na outra ponta, países como Hungria (1,3%), Romênia, Turquia, Sérvia e Itália registram taxas de uso profissional de IA inferiores a 10%.

    Uma clara divisão regional

    Os dados de 2025 revelam um padrão geográfico nítido na Europa. Os países do norte e oeste europeu lideram claramente a adoção da IA no trabalho, enquanto o sul da Europa apresenta um cenário misto. Por outro lado, o leste e o sudeste do continente, de maneira geral, mostram um atraso significativo.

    Entre as maiores economias da União Europeia, a França registra o maior uso no ambiente de trabalho, com 18,4%, seguida pela Espanha (17,9%). A Alemanha fica ligeiramente acima da média da UE, com 15,8%, enquanto a Itália se posiciona consideravelmente abaixo, com apenas 8%. Diversas economias menores, incluindo Luxemburgo, Chipre, Áustria, Suécia e Bélgica, também reportam taxas de uso relativamente altas, variando entre 20% e 25%.

    É importante ressaltar que essas estatísticas refletem o uso de IA por indivíduos no trabalho, e não a porcentagem de empresas que adotaram a tecnologia.

    A lacuna entre o uso pessoal e profissional da ia

    Há uma diferença notável entre o uso geral de IA e sua aplicação no trabalho. Em 2025, o uso geral de IA na UE era de 32,7%, mas o uso para fins profissionais era de apenas 15,1%. Isso significa que menos da metade dos usuários de IA, cerca de 46%, a empregam em suas atividades laborais. Essa lacuna varia significativamente entre os países.

    Em nações como Suíça, Malta, Noruega e Holanda, a maioria dos usuários de IA também a utiliza no trabalho. Contudo, países como Hungria, Romênia e Sérvia apresentam taxas muito mais baixas de uso profissional entre seus usuários de IA. Para a professora Przegalińska, essas diferenças são explicadas por uma combinação de “capacidade” e “permissão”.

    Habilidades, estrutura e cultura no ambiente de trabalho

    A “capacidade” inclui fatores como as habilidades digitais da força de trabalho, a proporção de empregos baseados em conhecimento e a infraestrutura digital disponível, como acesso à banda larga e serviços de nuvem.

    A “permissão”, por sua vez, é moldada pela cultura organizacional e pelas políticas internas das empresas. Przegalińska aponta:

    “Onde os empregadores fornecem ferramentas aprovadas, diretrizes claras e treinamento, a adesão tende a ser mais rápida porque os funcionários se sentem seguros usando a IA generativa e sabem o que é permitido.”

    Dados da OCDE indicam que o uso individual de IA generativa está em rápido crescimento, com um aumento de 68% entre 2024 e 2025 nos países da UE com dados disponíveis. Nils Adriansson, economista-estatístico da OCDE, observa que “as empresas também estão usando mais IA, e a IA generativa é um motor fundamental desse aumento”. Ele adiciona que grandes empresas são tipicamente as primeiras a adotar e possuem mais oportunidades para implementar novas tecnologias, dada a amplitude de suas atividades e recursos.

    O papel da estrutura econômica nacional

    A composição das economias nacionais também desempenha um papel crucial. O professor Valerio De Stefano, da York University em Toronto, explicou à Euronews Business que “as diferenças nos dados podem ser explicadas pela composição distinta das economias nacionais, com alguns países possuindo mais indústrias e setores onde a IA generativa poderia ser mais facilmente implementada, como trabalho baseado em conhecimento e mídia, TIC, pesquisa e desenvolvimento”.

    Além disso, alguns trabalhadores podem subestimar o quanto já dependem da IA, pois muitas ferramentas de uso comum são impulsionadas por essa tecnologia. Com os dados coletados em 2025, antes da disseminação mais recente dos agentes de IA em toda a economia, é provável que as taxas de adoção continuem a crescer em um futuro próximo.

    Conclusão: um futuro impulsionado pela ia

    A adoção da inteligência artificial no ambiente de trabalho europeu em 2025 revela um cenário dinâmico e desigual, com nações do Norte e Oeste liderando o caminho. O sucesso de países como Noruega e Suíça destaca a importância de um ecossistema digital robusto, que inclui investimento em habilidades, infraestrutura e, crucialmente, uma cultura organizacional que incentiva e orienta o uso seguro e eficaz da IA.

    À medida que a IA generativa continua a evoluir e se integrar em mais setores, a expectativa é de um aumento ainda maior nas taxas de adoção. Para que mais países alcancem os níveis dos líderes, será fundamental focar na capacitação da força de trabalho, no desenvolvimento de políticas claras e na criação de um ambiente de confiança que transforme a experimentação em prática rotineira e legítima no local de trabalho.

  • Productivity Growth: Harvesting the AI Dividend

    Productivity Growth: Harvesting the AI Dividend

    Productivity growth: Harvesting the AI dividend

    A produtividade, medida classicamente como produção por hora trabalhada, é a base do crescimento econômico e da melhoria do padrão de vida a longo prazo. Contudo, tanto os Estados Unidos quanto a Europa têm observado uma desaceleração nesse crescimento desde meados dos anos 2000. A inteligência artificial (IA), especialmente com o advento da IA generativa e dos agentes de IA, surge agora como um catalisador promissor para reverter essa tendência, moldando a próxima fase de expansão econômica em economias avançadas.

    A questão central para líderes empresariais não é se a IA terá impacto, mas sim qual será a magnitude dos ganhos de produtividade, a velocidade com que se materializarão e quais regiões se beneficiarão mais. Organizações como a OCDE estimam que a IA poderia impulsionar o crescimento anual da produtividade da mão de obra em economias avançadas entre 0,4 e 1,3 ponto percentual. Estes ganhos são significativos, pois um aumento anual de apenas meio ponto percentual se acumula consideravelmente ao longo de uma década.

    Fatores que impulsionam o crescimento da produtividade

    A OCDE e outros economistas enfatizam que os resultados dependem intrinsecamente de investimentos complementares em infraestrutura digital, treinamento da força de trabalho e mudanças organizacionais, e não apenas da tecnologia em si. Entre 1995 e 2019, a produtividade da mão de obra nos EUA cresceu 2,1% ao ano, contra 1% na Europa. Essa disparidade deveu-se, em parte, a investimentos mais agressivos das empresas americanas em tecnologia da informação e comunicação (TIC), enquanto as europeias enfrentaram mais restrições regulatórias.

    As expectativas para os ganhos de produtividade impulsionados pela IA permanecem, em geral, mais fortes nos EUA. O Goldman Sachs sugere que a adoção generalizada de IA generativa poderia elevar o crescimento da produtividade da mão de obra americana em cerca de 1 a 1,5 ponto percentual anualmente. Vários fatores estruturais sustentam essa visão: um ecossistema tecnológico robusto, liderança global em pesquisa de IA e capital de risco, e um grande setor de serviços digitalmente intensivos, onde ferramentas de IA generativa podem ser rapidamente implementadas.

    Agentes de IA: a próxima fronteira

    Tanto na Europa quanto nos EUA, os agentes de IA representam um desenvolvimento particularmente importante. Diferentemente de ferramentas de automação anteriores que lidavam com tarefas isoladas, os agentes de IA são projetados para planejar, raciocinar e executar fluxos de trabalho multi-etapas. Por exemplo, um agente pode gerenciar chamados de atendimento ao cliente, redigir respostas, consultar bancos de dados, escalar problemas e atualizar sistemas, com intervenção limitada.

    Em indústrias baseadas no conhecimento, essa automação de fluxo de trabalho pode aumentar significativamente a produção por trabalhador. Em vez de substituir ocupações inteiras, os agentes de IA tendem a reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas repetitivas, permitindo que os trabalhadores se concentrem em atividades de maior valor agregado, como análise, estratégia e interações interpessoais.

    Evidências recentes dos EUA sugerem que ganhos de produtividade já estão emergindo em alguns setores. Instituições financeiras relataram melhorias significativas de eficiência em operações de back-office com a implantação de IA. Da mesma forma, estudos experimentais em serviços profissionais mostram que a IA generativa pode aumentar a qualidade e a velocidade da produção, especialmente para trabalhadores menos experientes, reduzindo lacunas de habilidades.

    O cenário europeu e seus desafios

    O panorama para os ganhos de produtividade na Europa a partir da IA é mais misto. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que o ganho de produtividade de médio prazo devido à IA variaria consideravelmente entre os países, sendo modesto para a Europa como um todo – cerca de 1,1% cumulativamente ao longo de cinco anos. No entanto, com reformas pró-crescimento, o FMI sugere que ganhos maiores são possíveis a longo prazo.

    Assim como a OCDE, o FMI enfatiza que os resultados serão fortemente influenciados por estruturas regulatórias, mercados de trabalho e a velocidade de difusão tecnológica. Diferenças estruturais moldam a trajetória da Europa: a adoção de IA por pequenas e médias empresas (PMEs), que formam uma parcela maior da economia europeia, tende a ser mais lenta. O mercado digital europeu ainda é fragmentado entre fronteiras nacionais, idiomas e sistemas regulatórios, complicando a escalabilidade de plataformas tecnológicas. Além disso, a União Europeia adotou uma abordagem regulatória mais cautelosa para a governança de IA, o que pode desacelerar a implantação e, consequentemente, os ganhos de produtividade de curto prazo.

    Forças europeias e o potencial da IA

    A Europa possui pontos fortes. Lidera na manufatura avançada e engenharia industrial, setores onde otimização, robótica e manutenção preditiva impulsionadas por IA podem elevar a produtividade de capital. Agentes de IA incorporados em sistemas industriais podem aprimorar a eficiência da cadeia de suprimentos e reduzir o tempo de inatividade.

    Como apontado por executivos da SAP, a Europa detém um vasto repositório de dados estruturados de negócios e manufatura, essenciais para sistemas de IA confiáveis e para a confiança em agentes de IA. Se a adoção de IA acelerar na manufatura e em sistemas de energia, e se empresas europeias aproveitarem a oportunidade para construir agentes e aplicativos de IA avançados utilizando seus dados, a Europa poderá observar ganhos de produtividade de médio prazo mais robustos. A própria SAP, por exemplo, já viu sua produtividade de desenvolvedores melhorar significativamente com o uso interno de ferramentas de IA.

    Ajuste do mercado de trabalho e investimentos complementares

    Um fator crítico para EUA e Europa é o ajuste do mercado de trabalho. Historicamente, o mercado de trabalho americano demonstrou maior flexibilidade, com taxas mais altas de mudança de emprego e mobilidade ocupacional. Essa flexibilidade pode facilitar a realocação de trabalhadores para funções complementares à IA, amplificando os ganhos de produtividade. No entanto, isso pode ser contrabalanceado por programas de requalificação da força de trabalho existentes.

    O Banco de Compensações Internacionais (BIS) adverte que os efeitos da IA na produtividade não são automáticos. Eles dependem de investimentos complementares em habilidades, práticas de gestão e infraestrutura digital. Sem esses investimentos, as ferramentas de IA podem gerar apenas melhorias marginais de eficiência. A lição histórica de tecnologias de propósito geral, como eletricidade e TI, é que surtos de produtividade ocorrem após as organizações redesenharem processos para explorar novas capacidades e adotarem uma abordagem holística.

    Sem bolha de IA

    Embora alguns investidores preocupem-se com uma bolha de IA, os gastos totais com IA nos EUA ainda representam menos de 1% do PIB, um patamar inferior aos ciclos de infraestrutura históricos. Investimentos como os em TIC, ferrovias e canais historicamente representaram entre 2% e 5% do PIB. Assim como essas ondas de investimento anteriores, a IA, particularmente a IA baseada em agentes, tem o potencial de gerar crescimento significativo de produtividade e um impulso correspondente ao PIB nas regiões e setores que aproveitarem essa oportunidade.

  • AI Works for Europe: Impulsionando Habilidades Digitais para o Futuro do Trabalho

    AI Works for Europe: Impulsionando Habilidades Digitais para o Futuro do Trabalho

    Introdução à iniciativa AI Works for Europe

    A inteligência artificial (IA) está moldando o futuro do trabalho, e a Europa se prepara para essa transformação com a iniciativa AI Works for Europe. Lançada em Riga, Letônia, durante o Future of Work Forum, esta iniciativa visa capacitar trabalhadores e estudantes europeus com as habilidades essenciais em IA necessárias para prosperar na nova economia.

    O projeto é fruto de uma colaboração entre o setor público, organizações sem fins lucrativos, empregadores e universidades, com o objetivo de garantir que ninguém fique para trás. Um dos pilares desta iniciativa é a expansão de oportunidades e o desenvolvimento de novas competências, como exemplifica a experiência de Maria Teresa Pellegrino, proprietária da Pellegrino 1890 srl.

    IA expandindo capacidades, não apenas automatizando

    A história de Maria Teresa, que utiliza ferramentas de IA para otimizar a organização de eventos e a criação de materiais de marketing em seu negócio de produção de azeite de oliva, ilustra um ponto crucial: a IA não se trata apenas de automatizar tarefas existentes, mas sim de expandir o que somos capazes de fazer. Integrar IA em seu negócio familiar centenário permitiu-lhe realizar tarefas complexas em minutos, mantendo os valores históricos de sua empresa.

    Investimento e foco em novas habilidades

    O AI Works for Europe anuncia um compromisso de US$ 30 milhões em apoio adicional ao Fundo de Oportunidades de IA do Google.org. Desde 2015, o Google já capacitou mais de 21 milhões de europeus em habilidades digitais e de IA. Agora, o foco se intensifica em fornecer recursos para que todos adquiram as competências necessárias, desde iniciantes até desenvolvedores com conhecimentos avançados.

    Com o potencial de impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) da Europa em até € 1,2 trilhão, a iniciativa busca garantir que o continente capture essa oportunidade promissora.

    Preparando estudantes para as carreiras do futuro

    Em parceria com as organizações europeias INCO e Chance, o Google.org está apoiando o programa NewFutures:AI. Este programa auxiliará estudantes universitários em seu último ano a desenvolver habilidades práticas em IA e a acessar suporte de carreira. A iniciativa busca parceria com pelo menos cinquenta instituições de ensino superior europeias para oferecer esses recursos gratuitamente aos alunos.

    As novas currículas de IA foram desenvolvidas com base em pesquisas que identificaram as áreas com maior probabilidade de exigir habilidades em IA futuramente. Esses setores incluem:

    • Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)
    • Administração
    • Logística
    • Marketing
    • Finanças

    Uma análise de 31 milhões de vagas de emprego de nível inicial no Reino Unido e na União Europeia revelou que 24% delas já exigem algum nível de habilidade relacionada à IA.

    Novo certificado profissional em IA para o mercado europeu

    Em breve, o Google AI Professional Certificate estará disponível em dez idiomas europeus. O certificado visa ajudar trabalhadores e empresas a aprenderem a utilizar as ferramentas de IA mais valorizadas pelo mercado. A pesquisa do IPSOS destaca a importância da alfabetização em IA — a capacidade de entender, avaliar e tomar decisões sobre IA — como fator chave para a adoção dessas tecnologias.

    Para garantir acesso amplo e equitativo a esses recursos, o Google.org apoia organizações locais como AI Sweden e Talents for Tech. Essas parcerias permitirão compartilhar o certificado e recursos complementares com 50.000 trabalhadores em toda a Europa, através de sindicatos e organizações comunitárias.

    “A IA só assusta porque é moderna. Mas a modernidade é sempre assustadora — trata-se apenas de superar uma limitação humana”, afirma Maria Teresa Pellegrino, exemplificando a atitude necessária para abraçar a inovação.

    Conclusão: colaboração para o futuro do trabalho impulsionado por IA

    A plena realização do potencial da IA exige colaboração. O AI Works for Europe é um passo fundamental para capacitar indivíduos a utilizar ferramentas de IA para resolver problemas em seus trabalhos e comunidades. Ao investir em habilidades e promover a adaptação, a Europa se posiciona para não apenas enfrentar o futuro do trabalho, mas para liderar essa transformação.