A utilização da inteligência artificial (IA) na atividade judicante e a importância da cooperação institucional foram os pontos centrais de debate durante um evento que reuniu representantes de conselhos regionais de medicina em 2026. Os discussões destacaram os potenciais benefícios e os desafios éticos e práticos dessas ferramentas no cenário atual.
Um dos focos principais foi a aplicação da IA na medicina, com especial atenção às questões de sigilo e segurança das informações do paciente. A preocupação reside em garantir que dados sensíveis permaneçam protegidos ao serem inseridos em sistemas, mesmo que a IA possa auxiliar no julgamento de mérito.
Inteligência artificial na prática médica
Ricardo Hernane Lacerda Gonçalves de Oliveira, presidente do CRM-MG, liderou a discussão sobre o uso da IA, levantando questionamentos cruciais sobre a confidencialidade dos dados. “Devemos nos atentar ao sigilo das informações do paciente. Os nossos procedimentos precisam tramitar em sigilo – pela segurança do médico e do paciente. A partir do momento que esses dados são colocados em um sistema, quais as garantias que nós temos de que essas informações estarão seguras?”, indagou.
Apesar das ressalvas, reconheceu-se que a IA pode ser uma aliada valiosa no exercício da função judicante. A condição para seu uso eficaz é a cautela, mantendo sempre o juízo final e a responsabilidade sobre a matéria sob a alçada do conselheiro federal competente.
Tereza Cristina Brito Azevedo, presidente do CRM-PA, ressaltou a relevância do tema e a atuação do CFM. “A I.A se tornou rotina na prática médica e, com a recente resolução, o CFM estabeleceu critérios claros para seu uso com responsabilidade dentro da assistência à saúde”, afirmou.
Cooperação institucional para aprimoramento de processos
A quarta mesa do evento abordou a cooperação institucional com a Receita Federal e juntas comerciais, focando no aprimoramento de processos de fiscalização, cobrança e controle cadastral.
Eduardo Pinto Gomes, presidente do CRM-TO, apresentou dados sobre o impacto positivo dessa colaboração em Tocantins. O alinhamento dos processos internos permitiu identificar empresas e iniciar uma comunicação mais efetiva. “Nos últimos dez anos, tivemos um aumento significativo de registros de pessoas jurídicas; tendo nossos processos internos alinhados, conseguimos ter bons resultados”, ratificou.
A expansão da análise de registros e a implantação de ferramentas como chatbots são projetos em estudo para otimizar ainda mais essas ações. Gomes também mencionou o plano de integrar os bancos de dados de todos os CRMs do Brasil. “Estamos estudando caminhos para integrar os bancos de dados e, consequentemente, todos os CRMs do Brasil”, concluiu.
Ambas as mesas contaram com a participação ativa de congressistas presenciais e ouvintes online, que interagiram com os expositores enviando perguntas e comentários, enriquecendo o debate sobre esses temas cruciais para a medicina e a administração pública.
