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  • ChatGPT dos bichos? Inteligência Artificial pode ajudar a traduzir a linguagem dos animais

    ChatGPT dos bichos? Inteligência Artificial pode ajudar a traduzir a linguagem dos animais

    A antiga aspiração de conversar com animais, como cães, pode estar mais próxima da realidade em 2026. A organização sem fins lucrativos californiana Earth Species Project está utilizando inteligência artificial (IA) para decifrar a complexa comunicação animal, abrindo novas portas para a compreensão da natureza.

    Segundo Aza Raskin, cofundador da iniciativa, que apresentou os avanços no festival SXSW em Austin, EUA, a IA permite superar as limitações dos sentidos humanos. Pela primeira vez, será possível compreender a natureza em escala, revelando padrões e significados que antes eram inacessíveis à ciência, conforme publicado pelo Terra.

    A inteligência artificial na tradução animal

    Raskin destaca que, das 8 milhões de espécies no planeta, a linguagem humana é a única que entendemos completamente. A inteligência artificial muda esse cenário ao coletar dados de sensores que captam diferentes sons e construir amplas bases de dados sobre a comunicação animal.

    Isso permite à IA gerar conclusões inéditas. Um exemplo prático vem da Universidade de British Columbia, que monitora sons de orcas há mais de duas décadas. Somente agora, com a submissão desses ruídos à IA, têm sido descobertos padrões que podem decifrar como esses animais se comunicam entre si.

    Novas visões de mundo através da linguagem animal

    Traduzir a comunicação animal promete transformar a compreensão humana do universo. Raskin explica que, embora as linguagens humanas sejam diversas, análises por IA mostram que a visão de mundo entre pessoas é surpreendentemente similar.

    Contudo, a linguagem dos animais pode oferecer perspectivas radicalmente diferentes. Uma baleia, que vive no fundo do oceano, terá uma compreensão de mundo distinta da de um corvo, por exemplo. Essa nova informação contribuirá significativamente para a ciência, auxiliando na melhor compreensão de diferentes espécies, ecossistemas e do próprio planeta.

    Animais têm nomes próprios e uma comunicação rica

    Ainda que a compreensão científica sobre a linguagem animal seja incipiente, descobertas recentes evidenciam sua complexidade. Estudos da Universidade de Tel Aviv mostram que algumas flores produzem mais néctar imediatamente ao perceberem abelhas se aproximando, como se “escutassem e ficassem animadas”, mesmo sem um sistema nervoso.

    Corvos, conhecidos pela inteligência, também são “falantes”. Recentemente, descobriu-se que 60% a 70% de sua comunicação ocorre enquanto estão voando. Além disso, muitas espécies usam sons para definir indivíduos, um indicativo de autoconsciência.

    • Papagaios: Sussurram um som nos filhotes recém-nascidos que será seu nome para toda a vida.
    • Elefantes: Pesquisas da Universidade do Colorado indicam que eles fazem o mesmo.
    • Golfinhos: Não apenas definem nomes, mas também os usam para “falar” sobre um indivíduo a outro, sugerindo até a possibilidade de “fofoca” entre eles.

    O uso cauteloso do “chatgpt dos bichos”

    O Earth Species Project tem reunido descobertas científicas e alimentado sua IA para um futuro “ChatGPT dos bichos”, capaz de traduzir e até gerar sons para comunicação. Contudo, essa segunda fase exige extrema cautela.

    Raskin lembra um estudo em que pesquisadores emitiram o chamado de uma mãe elefante já falecida. Filhotes correram e demonstraram frustração e luto ao não encontrá-la. Isso evidencia o risco de disrupção imensa em ecossistemas delicados ao emitir uma mensagem errada.

    “Usar linguagem sintética pode abalar um equilíbrio de uma cultura delicada”, afirma Raskin, citando as baleias-jubarte, cuja comunicação “viral” percorre o oceano.

    Ele enfatiza que a evolução tecnológica deve ser acompanhada de regulamentações e tratados internacionais para um uso ético. Somente assim, poderemos elevar nossa compreensão e mudar o relacionamento com a natureza de forma positiva.

  • Inteligência artificial pode evitar a extinção de mais de 10 mil espécies

    Inteligência artificial pode evitar a extinção de mais de 10 mil espécies

    Inteligência artificial pode evitar a extinção de mais de 10 mil espécies

    Uma nova fronteira na conservação da biodiversidade está sendo explorada graças aos avanços da Inteligência Artificial (IA). Cientistas desenvolveram um sistema inovador capaz de prever ameaças a um vasto número de espécies, com foco inicial em mais de 10 mil espécies de peixes de água doce ao redor do globo. Essa ferramenta promete revolucionar a forma como identificamos riscos e agimos para proteger a vida selvagem antes que seja tarde demais.

    A pesquisa, publicada em fevereiro de 2026 na renomada revista científica Nature Communications, detalha um sistema que analisa 52 variáveis distintas. Essas variáveis abrangem desde fatores ambientais cruciais até aspectos socioeconômicos que podem, direta ou indiretamente, colocar em perigo a sobrevivência de diferentes espécies. Ao identificar antecipadamente essas potenciais ameaças, a IA permite que pesquisadores e autoridades ajam de forma proativa, implementando medidas de conservação eficazes.

    Como a IA identifica ameaças à vida selvagem

    A ferramenta nasceu de um esforço iniciado em 2020 por Christina Murphy, vice-diretora da Unidade Cooperativa de Pesquisa de Peixes e Vida Selvagem do Maine (parte do Serviço Geológico dos Estados Unidos – USGS), durante seu pós-doutorado. Com a colaboração de instituições internacionais como a Universidade de Girona (Espanha), o Serviço Geológico dos Estados Unidos e o Serviço Florestal americano, o projeto utilizou 12 bases de dados públicas globais para construir o sistema de IA.

    O objetivo principal era compreender quais fatores tornam uma espécie mais vulnerável à extinção. A Inteligência Artificial foi alimentada com dados que incluem informações da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), permitindo analisar mudanças globais com potencial impacto na vida aquática. A capacidade de proteção atual abrange 10.631 espécies de peixes.

    Variáveis analisadas pela IA

    A complexidade das ameaças é refletida na amplitude das variáveis consideradas pela IA. Elas vão além das mudanças climáticas e incluem:

    • Indicadores socioeconômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB).
    • Diversidade geomorfológica (variações no relevo).
    • Diversidade hidrológica (circulação e distribuição de água).
    • Características biológicas intrínsecas das espécies.
    • Impactos de infraestruturas como a construção de barragens.
    • Níveis de poluição.
    • Ordem taxonômica (agrupamento biológico).
    • Mudanças ambientais, como alterações climáticas e disponibilidade hídrica.

    Uma abordagem inovadora deste estudo foi a inclusão de variáveis e critérios de análise não comumente adotados pela UICN. Isso permitiu explorar fatores complementares e menos explorados, aprimorando significativamente a capacidade preditiva da IA e acelerando a detecção de ameaças que, por métodos tradicionais, levariam muito mais tempo para serem estudadas.

    Fatores cruciais para a vulnerabilidade das espécies

    Graças ao suporte tecnológico da IA, o estudo consolidou os principais elementos que aumentam a vulnerabilidade de uma espécie à extinção. A preservação do habitat emerge como um fator primordial, já que espécies não ameaçadas tendem a habitar regiões ambientalmente estáveis e saudáveis, com mínima intervenção humana.

    Contudo, o habitat não é o único determinante. Outros aspectos naturais, como a diversidade geomorfológica e a ordem taxonômica – que implica que espécies do mesmo grupo tendem a reagir de forma semelhante a mudanças ambientais –, também desempenham papéis significativos. As intervenções humanas, especialmente aquelas com implicações econômicas como a construção de barragens e a expansão urbana desordenada, foram destacadas como impulsionadoras diretas do nível de vulnerabilidade.

    Impactos diretos da IA na conservação

    Além de prever riscos, a Inteligência Artificial tem a capacidade de sugerir e até mesmo desenvolver estratégias para mitigar essas ameaças, propondo medidas que podem beneficiar diversas espécies simultaneamente. Essa abordagem proativa permite que cientistas resolvam potenciais problemas antes que se agravem, resultando em uma economia de tempo e recursos, além de salvar vidas selvagens.

    A tecnologia possibilita que autoridades tomem medidas preventivas antes mesmo que uma espécie seja formalmente listada como ameaçada.

    Segundo Christina Murphy, a ferramenta também é capaz de analisar a eficácia de diferentes estratégias de conservação e recomendar ações com base em experiências bem-sucedidas. Embora o modelo ainda precise de aprimoramentos e a expansão para outras espécies dependa da disponibilidade de dados suficientes, o potencial da IA como aliada na proteção da biodiversidade é inegável.

    Esta matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, uma união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN, dedicada a promover discussões e ações em prol do meio ambiente.