A inteligência artificial (IA) já transcendeu a promessa de um futuro distante para se firmar como uma infraestrutura crítica no setor de saúde em 2026. No entanto, o Brasil ainda demonstra uma hesitação notável em alocar investimentos significativos nessa área. Essa cautela contrasta com o dinamismo do mercado global, onde grandes quantias são direcionadas ao desenvolvimento de tecnologias de IA.
O médico e empresário Dr. Pedro Batista, CEO da Horuss AI, pontua que, enquanto empresas americanas recebem aportes na casa dos bilhões de dólares para inovações em IA, as instituições de saúde brasileiras adotam um caminho de usos mais limitados. Essa diferença de investimento pode impactar a capacidade do país de aproveitar todo o potencial transformador da IA na medicina.
Desafios de investimento e letramento em IA na saúde
Apesar da postura mais comedida no Brasil, o cenário regulatório para a integração da IA na saúde já se encontra estabelecido. O Conselho Federal de Medicina (CFM) definiu um marco regulatório que visa guiar essa transição com segurança. Contudo, Dr. Batista ressalta que o próximo passo crucial é o aumento do letramento para que executivos e profissionais da área compreendam plenamente as capacidades da tecnologia.
“A documentação para termos certeza do que deve ser feito já está instituída; agora precisamos de maior letramento para que executivos e profissionais possam conduzir o que a tecnologia pode fazer por eles dentro da Horuss AI e do setor”, afirmou o especialista.
Segurança e precisão no uso de IA em dados sensíveis
Um dos pontos de atenção destacados pelo Dr. Pedro Batista diz respeito aos riscos éticos e técnicos associados ao uso de IA, especialmente no manuseio de dados sensíveis de pacientes. Ele alerta para a proibição expressa do uso de ferramentas de IA não homologadas pela legislação brasileira.
“Eu não posso pegar um dado sensível e colocar em um chat de IA aberto para buscar respostas; a ferramenta precisa estar regulamentada pela legislação brasileira para não expor informações que devem ser protegidas”, enfatizou. Essa regulamentação é fundamental para garantir a privacidade e a segurança dos pacientes.
A precisão dos diagnósticos gerados por algoritmos de IA também é uma preocupação que demanda atenção. Para evitar falhas sistêmicas, é essencial a estruturação correta dos dados. De acordo com o especialista, a excelência no banco de dados e o uso de ferramentas que sigam diretrizes específicas são a chave para prevenir o fenômeno da “alucinação” nos sistemas de IA.
“Se o banco de dados tem excelência e as ferramentas seguem guidelines específicos, não haverá alucinação, os códigos open source permitem melhorias, mas podem conter desvios críticos que exigem suporte técnico especializado”, explicou.
O futuro da relação médico-paciente na era da IA
Diante do avanço tecnológico e da crescente adoção de ferramentas de IA, surge uma preocupação legítima quanto à possível perda de habilidades clínicas essenciais por parte dos profissionais de saúde. Dr. Batista expressa receio de que a medicina se torne excessivamente focada em dados e algoritmos, negligenciando a dimensão humana do cuidado.
“A tecnologia será o parâmetro para a precisão, mas se tirarmos o foco do paciente, a relação mística e potente do cuidado se perde, deixando a medicina apenas nas mãos de números e algoritmos”, ponderou. A mensagem central é a necessidade de equilibrar a inovação tecnológica com a manutenção da empatia e da conexão humana na prática médica.







