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  • Bill Gurley alerta: a bolha da IA está prestes a estourar e um ‘reset’ é inevitável

    Bill Gurley alerta: a bolha da IA está prestes a estourar e um ‘reset’ é inevitável

    O investidor Bill Gurley prevê um colapso iminente na bolha da IA, citando gastos exorbitantes e padrões históricos de superaquecimento do mercado.

    Bill Gurley, um nome de peso no Vale do Silício e sócio-geral da Benchmark, alertou que a ascensão meteórica da inteligência artificial (IA) pode estar inflacionando uma bolha especulativa prestes a estourar. Segundo Gurley, os ganhos astronômicos observados no último ano, que enriqueceram em US$ 2,2 trilhões as 500 pessoas mais ricas do mundo em 2025, são um sinal claro de um mercado aquecido que caminha para um ajuste de contas.

    A tese de Gurley é que o atual boom da IA segue um padrão já visto em outras revoluções tecnológicas. O capital inicial injetado e o consequente aumento de gastos acabam se tornando insustentáveis para muitas empresas. Ele adverte que, em breve, as companhias terão que rever drasticamente suas avaliações e cortar despesas para evitar o fracasso.

    Os sinais de alerta na economia da IA

    O executivo destacou a natureza autoalimentada das bolhas financeiras: o enriquecimento rápido atrai mais capital e mais participantes, intensificando o ciclo. “Um dia vamos ter um ‘reset’ da IA, porque as ondas criam bolhas, porque os intrusos entram”, afirmou Gurley em entrevista à CNBC. Ele sugere que, após esse ajuste, o setor de software como serviço (SaaS), que já sente o impacto da automação por agentes de IA, pode se tornar uma oportunidade de compra.

    As ações de gigantes como Salesforce e ServiceNow já sentiram o impacto, com perdas superiores a 20% no valor desde o início de 2026. Esse cenário se intensifica com os gastos vultosos em infraestrutura de IA. Dados da Morgan Stanley indicam que a relação entre capital expenditure (Capex) e vendas em empresas que treinam e operam grandes modelos de linguagem deve atingir 34% em 2026 e 37% em 2028, superando os 32% registrados durante a era da bolha das pontocom.

    Estima-se que o investimento entre 2026 e 2028 chegue a US$ 2 trilhões, representando 40% do índice Russell 1000. Os chamados “hyperscalers” — como Amazon, Meta, Alphabet, Microsoft e Oracle — estão na vanguarda desses investimentos. Um relatório da Moody’s Ratings revelou que essas empresas acumularam quase US$ 1 trilhão em compromissos futuros de arrendamento de data centers ainda não construídos, sendo US$ 662 bilhões referentes a locações que ainda não começaram e que, pelas regras contábeis atuais, não precisam ser registradas como passivos.

    A corrida por financiamento e o alto custo da inovação

    Essas expansões de infraestrutura frequentemente ocorrem em parceria com startups de IA, como OpenAI e Anthropic, que demandam capital massivo. O HSBC projetou que a OpenAI precisará de mais de US$ 207 bilhões até 2030 apenas para cobrir seus custos de computação em nuvem. Analistas estimam um “burn rate” (taxa de queima de caixa) total de US$ 280 bilhões para essas empresas até o fim da década.

    O CFO da Anthropic, em um processo judicial recente, revelou que a empresa gastou mais de US$ 10 bilhões no treinamento de modelos que geraram metade desse valor em receita. Gurley, que teve experiência com o alto “burn rate” de US$ 2 bilhões anuais da Uber em seus primórdios, descreveu a forma de operação da OpenAI e Anthropic como “assustadora”.

    O impacto da IA no mercado de trabalho e a responsabilidade das empresas

    Paralelamente aos gastos, surgem previsões audaciosas sobre o futuro do trabalho. Bill McDermott, CEO da ServiceNow, antecipou um possível desemprego de 30% entre graduados universitários da Geração Z. Empresas como Oracle já reportaram cortes de milhares de empregos, atribuindo a medida às eficiências trazidas por suas ferramentas de IA, e a Meta planeja demitir cerca de 20% de sua força de trabalho após pesados investimentos na área.

    No entanto, Gurley minimiza as projeções apocalípticas sobre o desemprego em massa. “Não sou um grande ‘doomer’”, disse. Ele acredita que as atribuições de demissões em massa à produtividade da IA são exageradas e que os CEOs estão, na verdade, usando a tecnologia como desculpa para reduzir custos após investimentos excessivos ou falhas estratégicas. “Vemos muitas dessas demissões. Mas é algo normal que já passamos antes”, concluiu.