Kevin Baragona alerta para riscos econômicos e defende regulamentação clara sobre inteligência artificial
O fundador e CEO da DeepAI, Kevin Baragona, descreve que estamos caminhando para um futuro de ficção científica impulsionado pela inteligência artificial, e ressalta que testemunhar essa transformação traz tanto gratidão quanto preocupação. Baragona, pioneiro em ferramentas que geram imagens a partir de texto, afirma que a tecnologia deixou de ser uma curiosidade para se tornar uma força capaz de remodelar mercados e profissões.
O debate sobre a velocidade desse avanço ganhou escala pública com o lançamento do ChatGPT no ano passado e, desde então, culminou em iniciativas como uma carta que pede uma pausa de seis meses no desenvolvimento de modelos mais poderosos que o GPT-4, além de um comunicado que destacou o risco de “extinção” associado a IA superinteligente. Baragona assinou a carta que pede moratória e avaliou que ela se tornou em grande parte simbólica, embora a ideia de desaceleração por segurança tenha ganhado força.
Riscos e moratória
Baragona comentou a reação do setor, citando a posição do CEO da OpenAI, Sam Altman, que afirmou recentemente que a empresa não está treinando atualmente o GPT-5 devido aos riscos de segurança e disse: “Estamos muito longe disso“. Segundo Baragona, a discussão não é trivial, “Não é brincadeira“, e envolve desde desinformação e fraude online, até ameaças mais amplas e incertas.
Para especialistas como Gary Marcus, as preocupações imediatas incluem propaganda e desinformação, mas Baragona destaca também um impacto econômico profundo, capaz de “perturbar todos os tipos de trabalhos baseados em conhecimento”. Ele exemplifica: “Não importa se você é médico, advogado, agente de suporte ao cliente, jornalista, programador de software“, e alerta que a rapidez da melhoria dos modelos pode surpreender mercados e profissionais.
Impacto econômico e no trabalho
Baragona foi enfático ao analisar a evolução da capacidade das máquinas: “Pode ser apenas 30% boa hoje, mas, com a tecnologia exponencial, podemos esperar que ela seja 99% capaz em um ano“. Para muitos trabalhadores criativos que já percebem substituição por ferramentas de IA, ele pondera que “Eles não estão sozinhos” e que a interrupção afetará diversos setores.
O CEO da DeepAI relativiza a ideia de que determinados grupos são alvos específicos, afirmando: “Eu não acredito que os artistas estejam sendo especificamente alvo, porque todos estão igualmente afetados“. Ele prevê ainda que, no futuro, a fusão entre IA e robótica poderá ampliar a automação para tarefas físicas hoje consideradas seguras, reduzindo zonas de proteção no emprego.
Regulação e caminho a seguir
Ao tratar de políticas, Baragona defende educação pública sobre capacidades da tecnologia e regulações pontuais. Ele considera que propostas como o AI Act europeu, que classifica modelos por níveis de risco, podem ser “muito restritivas”, e sugere que ações mais práticas, como diretrizes claras contra o uso de deepfakes para roubar rosto e voz, seriam um bom começo.
Baragona elogia a proposta do AI Bill of Rights da Casa Branca se transformada em lei, lembrando seus cinco princípios orientadores, e reforça a incerteza que envolve a tecnologia. Ele admite contradições pessoais sobre o desenvolvimento da IA, ao afirmar: “Se eu pudesse apertar um botão e garantir que a IA não fosse criada, eu seria tentado a apertar esse botão“. Ainda assim, pondera que, estando dentro da indústria, tem mais capacidade de moldar um futuro ético.
Sobre o balanço entre promessas e perigos, Baragona sintetiza: “Eu acredito que certamente milagres provavelmente acontecerão. Acredito que algumas coisas aterrorizantes também são prováveis“, e conclui que o período será um “pacote misto”. Apesar das apreensões, ele diz que sente “quase grato por poder testemunhar isso“, ao participar de um dos momentos tecnológicos mais disruptivos da história.









